Por bferreira

Santa Catarina - A Polícia Federal indiciou ontem 27 médicos do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, ligado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), acusados de não cumprir a jornada de trabalho para a qual são pagos. Eles vão responder pelos crimes de prevaricação, abandono de função pública, falsidade ideológica e estelionato contra a União e podem ser condenados a devolver o que receberam. A estimativa é que, em cinco anos, o prejuízo com pagamento de horas não trabalhadas chegue a R$ 36 milhões.

Segundo o delegado Allan Dias, que comandou a Operação Onipresença nas cidades de Florianópolis, Itajaí, Criciúma e Tubarão, as investigações mostraram que, no horário em que deveriam estar no Hospital Universitário, trabalhavam em consultórios, clínicas e hospitais particulares. No período apurado, os 27 indiciados cumpriram 283 horas por semana quando deveriam ter trabalhado 1.060 horas. “Eles tinham vários vínculos com hospitais, clínicas e consultórios particulares”, afirmou o delegado.

Ele informou que entre os indiciados há três médicos que nunca registraram presença no Hospital Universitário. Mesmo assim recebiam todo mês salários de R$ 16.597,12.

Além deles, cinco, que recebem R$ 25.121,93, cada um, tinham frequência inferior a 15% da carga obrigatória, oito, com salários de R$ 18.494,39 , trabalhavam apenas 30% do tempo que deveriam e 11, que cumpriram apenas 40% da jornada, ganhavam R$ 19.930,12.

O delegado Allan Dias explicou que a operação recebeu o nome de Onipresença em alusão ao fato de os médicos receberem por dois trabalhos no mesmo horário. “Apenas Deus pode estar em vários lugares ao mesmo tempo”, disse o policial.

Denúncia deu início a investigação

As investigações sobre os médicos que recebiam sem trabalhar ou cumpriam apenas parte da sua jornada começou em outubro de 2013, quando a Polícia Federal recebeu uma denúncia contra 32 profissionais. Desde então, os agentes acompanharam a rotina deles e, segundo delegado Allan Dias, confirmaram as irregularidades de 27.

O policial disse que chegou a pedir a prisão preventiva dos suspeitos, mas a Justiça Federal negou. Por isso, eles foram indiciados e vão poder responder ao inquérito em liberdade. Ele estimou que precisará de quatro meses para ouvir pelo menos 120 médicos e funcionários do hospital.

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