Congresso do PT poupa governo e não critica ajuste

Documento inicial elaborado por setores do partido propunha ‘alteração da política econômica’, mas a expressão foi trocada depois de acordo entre dirigentes

Por O Dia

Salvador -  Depois de três dias de discussões, o PT decidiu mexer pouco na sua estrutura partidária e atenuar críticas ao governo da presidenta Dilma Rousseff e à sua política econômica. Chamado de ‘Carta de Salvador’, o documento final aprovado neste sábado no 5º Congresso Nacional do PT não cita nominalmente o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como propunham alas mais à esquerda da legenda, e diz que é preciso “conduzir a orientação geral da política econômica para ampliação das políticas sociais.”

“É preciso conduzir a orientação geral da política econômica para implementação de estratégias para a retomada do crescimento e defesa do emprego, do salário e dos demais direitos dos trabalhadores que permita a ampliação das políticas sociais”, diz o documento. Inicialmente, o texto propunha “alteração da política econômica”, mas a expressão foi trocada de última hora após o trato entre os dirigentes, atenuando ainda mais o tratamento sobre o ajuste, criticado por muitos petistas.

Rui Falcão fez uma defesa pública do ex-tesoureiro do PT João VaccariAgência Brasil

Na avaliação do presidente nacional do PT, Rui Falcão, o partido se posicionou com críticas ao ajuste fiscal do governo Dilma evitando apenas “personificá-las”. “Acho que houve sim críticas a aspectos da política econômica, embora não dessa forma de ‘fora, Levy’, personificando críticas em algum ministro ou na presidente da República. Queremos uma orientação com mais emprego, mais salário, mais investimento, e isso não dá para ser feito com taxa de juros de 14% ao ano”, afirmou Falcão.

No último ato do encontro, ele fez uma defesa pública do ex-tesoureiro do partido João Vaccari, preso desde o dia 15 de abril em desdobramento da Operação Lava-Jato. “Ele está preso injustamente. Nunca se apropriou de um centavo do partido. Há uma tentativa de criminalizar o PT através da prisão dele”, disse Falcão.

Com participação de cerca de 650 dos 750 delegados que compareceram ao 5º Congresso, o partido decidiu, por falta de tempo, remeter ao diretório nacional a deliberação sobre algumas emendas ao texto final do encontro. A decisão provocou vaias. Entre as questões transferidas para o comando da legenda está a manutenção ou não da decisão de não aceitar mais doações de empresas para custear o funcionamento da sigla.

Ainda no campo econômico, como um pedido do PT de aceno à esquerda do governo, foi mantido no texto final a proposta de imposto sobre grandes fortunas, imposto sobre herança e imposto sobre lucros e dividendos.

Mantida aliança com o PMDB

No 5º Congresso, o PT também rejeitou a revisão da política de alianças, que tem como principal aliado o PMDB, partido do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A proposta estava em uma emenda que chamava o partido aliado de “sabotador do governo”.

Apesar da decisão, dirigentes petistas gritaram “fora, Cunha” enquanto era discutida a proposta sobre a ruptura com o PMDB e demais partidos aliados. Os petistas decidiram também manter as eleições internas como forma de eleger a direção do partido. O sistema é alvo de críticas de diversos dirigentes.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, foi um dos que reagiu. “O partido é de massas, mas não de massa de manobra. Isso aqui não é democracia de verdade”, reclamou.
No encontro, o PT também resolveu adiar a discussão sobre financiamento privado de campanha, que está em discussão na reforma política debatida no Congresso Nacional.

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