PT deve apresentar alternativa à política de austeridade de Dilma, diz Genro

Um dos mais críticos à política econômica do governo, o ex-governador do RS diz que PT tem de encontrar alternativa, sob pena de achar que crise se combate com recessão

Por O Dia

Salvador - Ex-ministro da Justiça do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro já se acostumou a ser voz dissonante da cúpula de seu partido e tem sido um dos formuladores mais presentes das críticas ao ajuste fiscal realizado pelo governo.

A revelia dos dirigentes do partido que se esmeravam em minimizar as dissonâncias durante o 5º Congresso do PT, em Salvador, Tarso defende que a legenda comece a discutir formas alternativas de enfrentar crises econômicas, “sem rezar a cartilha neoliberal”.

“O PT tem obrigação de apresentar para o futuro, novas alternativas, sob pena de nós acharmos que toda crise só pode ser respondida, só pode ser bloqueada com medidas de austeridade e recessão e redução de políticas sociais”, diz.

Tarso Genro%3A críticas ao modelo de austeridade da presidente DilmaLuciana Lima / iG

Ao ser questionado sobre a possibilidade de Lula retornar à disputa em 2016, Tarso desconversa, mas não descarta. “Lula 2018 está na cabeça de cada um”, afirma Genro.

O ex-governador gaúcho reconhece a incapacidade do partido de influenciar nas decisões políticas do governo. “Nunca achei que o Congresso do PT tivesse o poder de mudar as medidas de austeridade, as medidas de ajuste que a presidente tomou. O Congresso não tem potência política para isso. Essas não foram medidas recomendadas pelo PT e nem foram medidas abertas dentro do PT como saída para a crise. Então são atos de governo que, evidentemente o Congresso vai respeitar”, pondera.

Pai da ex-candidata a Presidência da República pelo PSOL, Luciana Genro, Tarso, ao contrário do PT, tem se mantido em um caminho ideológico cada vez mais parecido com o defendido pela filha. Além de repensar o modelo de coalizão partidária atual, que sustentou o governo de Lula e de Dilma, Tarso também provocou petistas a repensarem as possíveis saídas para a crise econômica sem as chamadas medidas de austeridade.

“O que estamos tratando aqui é outra coisa. É verdadeiro que as únicas saídas para uma crise como esta são saídas pela ortodoxia?”, questiona. São as saídas dos governos neoliberais da Europa? A opinião da corrente que eu pertenço e a opinião da maioria do partido é que não, que tem outras saídas, que nós temos de apresentar neste congresso estas saídas”, argumenta.

“Para que tenhamos coerência no futuro. Para que quando dissermos à sociedade: estamos saindo de uma crise, não estamos saindo dentro das formas tradicionais que o neoliberalismo sempre impôs aos países”, destaca.

Genro aponta o afastamento do governo de Dilma do governo do PT como uma consequência da política de coalizão adotada. “Há um afastamento que vem de um tipo de coalizão política que deu sustentabilidade adequada, na minha opinião, para os governo Lula e para o governo Dilma, que deu sustentabilidade para a democracia no Brasil, mas que se esgotou. E está esgotado principalmente porque não oferece alternativas diferentes para sair de uma crise como esta”, enfatiza o ex-governador.

Quanto ao apoio ao governo, Tarso diz que o partido não deverá abandonar a presidente: “O PT é suporte da presidenta e é claro que vai apoiá-la. Mesmo que tenha alguma posição crítica, em ração a essas medidas, o PT vai continuar dando apoio à presidenta. Não vai lhe faltar."

Um dos principais nomes da corrente Mensagem ao Partido e, ao lado do deputado Alessandro Molon (PT-RJ) tem se dedicado a articular uma frente de esquerda no Rio de Janeiro. Tarso, no entanto, diz que não pretende transferir seu domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro e nem se candidatar.

Reportagem de Luciana Lima

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