De Olho na Política: Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou

Quem mais sofre com os tropeços de Dilma é o ex-presidente, preocupado com suas chances de reeleição em 2018

Por O Dia

Rio - A safra de más notícias para Dilma Rousseff é inesgotável. Parece que a presidenta só tem minutos de sossego quando está andando de bicicleta no Palácio da Alvorada. De resto, mal dá para respirar. É cada dia com sua dor. Na sexta-feira, por exemplo, o IBGE divulgou a maior taxa de inflação para um mês de junho desde 1996 — 0,99%, com uma taxa acumulada de 8,80% em doze meses. O PIB, medido pelo Banco Central, encolheu 0,84% em abril e o mercado já fala em queda de 2% para este ano. Tem mais: o país perdeu 115 mil vagas de emprego formal em maio, no pior resultado para o mês das noivas em 23 anos. Obviamente, o mau desempenho da economia aprofunda ainda mais o desgaste da imagem da presidenta. Segundo o Datafolha, o governo Dilma é considerado ruim e péssimo por 65% dos eleitores. Só 10% o qualificam de bom ou ótimo.

Se a economia cobra seu preço, a política também não ajuda. Ao contrário. Além da ameaça de ter as contas do ano passado vetadas pelo TCU, a presidenta vê a base aliada cada vez mais dispersa e seu partido, o PT, em acelerado processo de encolhimento. Para agravar, as investigações do Ministério Público Federal levaram para a prisão os presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo, acusados de envolvimento no propinoduto da Petrobras. Desde o início das investigações, a Odebrecht afirmava em alto e bom som que nada havia contra seus negócios. Agora, o discurso da maior empreiteira é outro: Emílio, o pai de Marcelo, reassumiu o comando e teria dito, segundo a revista “Época” que, com a prisão do filho, é bom construir celas também para ele, Dilma e o ex-presidente Lula.

Apesar do vendaval que se abate sobre o governo, a presidenta acredita que depois da tempestade vem a bonança. Conta-se em Brasília que ela deu um passa fora num deputado petista que se disse preocupado com a queda na popularidade do governo. “A popularidade é minha e eu faço com ela o que quiser”, rebateu. Na verdade, Dilma não tem muito a perder. Foi reeleita, tem mandato até 2018 e está na história como a primeira mulher a presidir o Brasil. Quem mais sofre com os tropeços de sua afilhada política é o ex-presidente Lula. Segundo ‘O Globo’, em conversa com religiosos, Lula espelhou-se na crise hídrica e desabafou: “Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto, eu estou no volume morto. Todos estão numa situação muito ruim. E olha que o PT ainda é o melhor partido. Estamos perdendo para nós mesmos”.

Um dos pontos que irrita o ex-presidente é exatamente a falta de novidades. Ele contou que, num encontro com Dilma e alguns ministros no dia 16 de março no Alvorada, perguntou: “Companheira, você lembra qual foi a última notícia boa que demos ao Brasil?”. Dilma não se lembrava e nem seus ministros.

Na palestra no instituto que leva seu nome, Lula afirmou que pede a Dilma para falar mais com a população, mas ela não lhe dá ouvidos: “Gilberto sabe do sacrifício que é a gente pedir para a companheira Dilma viajar e falar”. Ele também tem cobrado agenda positiva: “Ajuste fiscal não é programa de governo. Depois do ajuste vem o quê?”. Pode ser exagero do cacique do PT, preocupado com suas chances de reeleição em 2018. Mas, se Dilma não conseguir sair do fundo do poço, não será por falta de advertência. Como diz a letra dos Paralamas, ‘Luiz Inácio avisou’.

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