'Os preconceituosos ladram, mas a Majuzinha passa', diz a jornalista no 'JN'

Maria Júlia, a Maju, foi alvo de ataques racistas na página do Jornal Nacional na internet

Por O Dia

Rio -  A jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, fez um aguardado comentário no 'Jornal Nacional'  sobre os ataques racistas que sofreu na página do jornalístico da TV Globo na internet. Após apresentar a previsão do tempo, na noite desta sexta-feira,  o apresentador William Bonner pediu para a jornalista comentar o ocorrido, lembrando que hoje é dia do Combate à Discriminação Racial. Maria Julia disse que a violência verbal sofrida não a abalou, pelo menos profundamente. 'Não esmoreço', definiu.

"Tava todo mundo preocupado, imaginando que eu estaria chorando pelos corredores. Mas a verdade é a seguinte: Eu já lido com a questão do preconceito desde que eu me entendo por gente. Claro que eu fico muito indignada, fico muito triste com isso, mas eu não esmoreço. Não perco o ânimo. Eu cresci numa família muito consciente, de pais militantes, que sempre me orientaram dos meus direitos. Acho importante que medidas legais sejam tomadas para evitar novos ataques a mim e a outras pessoas.  Eu acredito que é muito importante"

A apresentadora minimizou os ataques racistas sofridos na internet%3A 'Não esmoreço'Reprodução TV

Maju minimizou o ataque recebido para agradecer o apoio recebido dos telespectadores do telejornal. "Quem fez isso foi uma minoria. Mas eu quero manifestar a felicidade que eu fiquei com a manifestação de carinho que eu recebi. Foram milhares de emails, de manifestações de carinho. A militância que eu faço é com o meu trabalho, fazendo meu trabalho sempre bem feito, com muito carinho, com muita dedicação, com muita competência. Para finalizar é o seguinte: os preconceitosos ladram, mas a caravana passa, disse a jornalista'.  

Bonner aproveitou a fala de Maju para sugerir a troca da palavra caravana pelo apelido carinhoso como a moça do tempo é tratada pelos colegas de trabalho, sugestão que foi aceita por ela. "Os preconceituosos ladram, mas a Majuzinha passa, é isso", concluiu.

Ministério Público pede rigor em investigação de preconceito contra Maju

A Coordenadoria de Direitos Humanos do Ministério Público do Rio pediu, nesta sexta-feira, rigor na investigação da Polícia Civil no caso de preconceito contra a jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju. A 'moça do tempo' do Jornal Nacional foi vítima de ataques racistas publicados na seção de comentários da página do telejornal da TV Globo.

A Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) está investigando o caso para chegar aos autores das falas racistas. Diz a nota:

'Diante das inúmeras ofensas publicadas à jornalista Maria Júlia Coutinho na página do “Jornal Nacional” no Facebook, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Coordenadoria de Direitos Humanos, solicitou à Promotoria de Investigação Penal que acompanhe o caso, com rigor, junto à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI)'.

Jornalista Glória Maria presta solidariedade: 'Sofri ataques racistas por 10 anos'

A jornalista e apresentadora Glória Maria, em entrevista ao colunista Bruno Astuto, da revista Época, prestou apoio à jornalista Maria Júlia Coutinho. Glória foi a primeira repórter negra a aparecer em rede nacional na emissora carioca e a primeira negra a apresentar o Jornal Nacional e o Fantástico, principais produtos do jornalismo global.

"O que eu digo para a Maju é que ela vá em frente e não desista nunca, porque é isso que os racistas querem, que a gente fraqueje e desista. Mas que ela fique mais forte com essa experiência e siga adiante", disse ela.

Glória Maria é apontada como uma das filhas de Natália do Valle%2C no siteReprodução Internet

Glória lembrou que foi alvo de racismo durante os quase dez anos que apresentou o dominical, de 1998 a 2007. "Essa é a prova do que eu sempre disse, que o racismo nunca vai acabar. O que ela está passando hoje, eu vivi no Fantástico. Recebia os comentários por cartas e, depois, por e-mails. Não era uma declaração pública e vinha diretamente a mim, atingia a minha alma e meu coração. Hoje atinge o Brasil. A diferença é essa. Eu tinha que aguentar o tranco sozinha. Isso que ela está vivendo é a normalidade do brasileiro. Mas nunca fraquejei, nunca desisti".

Ataques na página ofical do 'JN'

A jornalista Maria Julia Coutinho foi alvo de comentários racistas em uma publicação do "Jornal Nacional" em sua página oficial no Facebook. Alguns internautas afirmaram que "Maju", que fala sobre a previsão do tempo, só entrou no JN por causa das "cotas". Admiradores da jornalista se manifestaram em seu favor, dizendo que a atitude era lamentável, principalmente em um país miscigenado.

"Só conseguiu emprego no 'Jornal Nacional' por causa das cotas. Preta imunda", publicou um internauta.

"Não tenho TV colorida para ficar olhando essa preta não", disse outro.

'Não tenho TV colorida para ficar olhando essa preta'%2C diz um dos comentários racistas sobre Maju Reprodução Internet

"País mais miscigenado do mundo e ainda temos que ficar lendo esses comentários racistas. Lamentável", afirmou Claydson Vieira. "A moça é linda, inteligente e ganha bem mais do que vocês", completou o internauta.

"Aos racistas um aviso: internet não é terra sem lei e se vocês acham que podem destilar toda a podridão que existe no interior de vocês só porque usam fakes, estão enganados. Espero que vocês se ferrem muito", afirmou a internauta Martha Bernardo Duarte.

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