Planalto coloca panos quentes em revelação do Wikileaks: 'Superado'

Para editor-chefe do site que vazou denúncia, EUA têm ainda longo caminho para provar que sua vigilância sobre governos de países amigos acabou

Por O Dia

Brasília - O Planalto divulgou uma nota a respeito da revelação feita pelo site Wikileaks, que trouxe uma séries de números telefônicos do governo que teriam sido alvo de escutas pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos), neste sábado. O texto diz que o governo “considera o episódio superado”.

De acordo com o Wikileaks, 29 linhas telefônicas ligadas diretamente à presidência da República foram alvo de escutas nos anos de 2010 e 2011. Entre elas está o telefone pessoal da presidente Dilma Rousseff instalado no avião presidencial.

Dilma Rousseff e Barack ObamaEfe

“Em várias circunstâncias, a presidenta Dilma Rousseff ouviu do presidente Barack Obama o compromisso de que não haveria mais escutas sobre o governo e empresas brasileiras, uma vez que os EUA respeitam os ‘países amigos’”, diz a nota divulgada neste pelo Planalto.

Se coloca panos quentes na denúncia revelada neste sábado pelo Wikileaks, a presidente chegou a cancelar uma visita oficial que faria aos Estados Unidos em 2013 por causa do episódio.

“A presidenta Dilma reitera que confia no presidente Obama e no compromisso por ele assumido. Os EUA e o Brasil tornarão cada vez mais forte a sua parceria estratégica, que está baseada no respeito mútuo e no desenvolvimento de seus povos."

O editor-chefe do Wikileaks, Julian Assange, divulgou uma avaliação sobre a revelação que o site fez. Segundo Assange, que permanece refugiado desde 2012 na embaixada do Equador em Londres, a publicação deste sábado “mostra que os EUA ainda têm um longo caminho a percorrer para provar que sua vigilância sobre governos amigos realmente acabou”.

“Os Estados Unidos não tiveram como alvo somente a presidente Dilma Rousseff, mas também figuras chave do governo com as quais ela dialoga diariamente. Mesmo se as promessas dos Estados Unidos de que não mais espionarão Dilma pudessem ser confiáveis, o que não são, é fantasioso achar que a presidente governará o país falando apenas consigo mesma o dia todo”, disse Assange.

Reportagem: Marcel Frota

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