Dilma se irrita com o vazamento da delação do empreiteiro Ricardo Pessoa

'Quem fez que pague. Não devo nada para esse cara, sei da minha campanha', afirmou a presidente.

Por O Dia

Brasília - A presidente Dilma Rousseff teria ficado furiosa com o vazamento da delação premiada de Ricardo Pessoa, da UTC. Em uma reunião no dia do vazamento, em 26 de junho, Dilma teria dito aos auxiliares: “Não sou eu quem vai pagar por isso. Quem fez que pague. Não devo nada para esse cara, sei da minha campanha”, afirmou a presidente. As informações são do jornal “Folha de S.Paulo”.

Pessoa diz que pagou propina e fez doações eleitorais para facilitar seus negócios com a Petrobras. O empresário deu R$ 7,5 milhões para a campanha de Dilma no ano passado. Foi tudo declarado à Justiça Eleitoral, mas ele disse que só fez a contribuição porque tinha medo de perder seus contratos na estatal.

Agitada, andando em círculos e gesticulando muito, a presidente Dilma Rousseff olhou para os auxiliares e disse: “Eu não vou pagar pela merda dos outros”. Ela não disse a quem se referia.

Pressão. Vazamento antes de viagem aos Estados Unidos deixou Dilma Rousseff brava com auxiliaresRoberto Stuckert Filho/PR

Na delação, o empreiteiro afirmou que tratou da doação com o então tesoureiro da campanha de Dilma, o petista Edinho Silva, hoje ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social. Edinho confirma que se encontrou com Pessoa para tratar de doações na campanha, mas nega ter feito qualquer ameaça ao empreiteiro.

Na noite de 26 de junho, a presidente reuniu-se no Alvorada com Mercadante, Edinho, o assessor especial Giles Azevedo e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o auxiliar sobre quem recaiu quase toda a culpa na reunião.

As revelações de Pessoa contribuíram para aprofundar a crise política enfrentada por Dilma. Nesta semana, ele deve depor ao Tribunal Superior Eleitoral, que conduz uma investigação sobre a campanha da reeleição.

Dilma cobrou Cardozo por não ter impedido que as revelações de Pessoa viessem a público dias antes de sua visita oficial aos Estados Unidos, num momento em que a presidente buscava notícias positivas para reagir à crise. “Você não poderia ter pedido ao Teori para aguardar quatro ou cinco dias para homologar a delação?”, perguntou, referindo-se ao ministro que conduz os processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. “Isso é uma agenda nacional, Cardozo, e você fodeu a minha viagem”, acrescentou a presidente.

Um dos ministros reclamou que ninguém, nem a PF, nem o Ministério Público, parecia ter questionado Pessoa sobre suas doações eleitorais ao PSDB. Daí surgiu a ideia de falar em vazamento “seletivo”.

Moody’s A equipe da agência de classificação de risco Moody's deve chegar a Brasília na quarta-feira para avaliação da nota do Brasil. A maioria dos especialistas avalia que a nota do Brasil será rebaixada, mas continuará com o “selo” de grau de investimento.

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