Por thiago.antunes

Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, disse, em pronunciamento de cinco minutos em rede nacional, que a Casa vai trabalhar 'com independência e coragem para atender às demandas do provo brasileiro'. A fala de Cunha se estendeu das 20h25 às 20h30, tempo suficiente para gerar indignação na Internet e nas ruas. Houve panelaço em diversos pontos da Zona Norte e Sul do Rio, como Vila Isabel, Tijuca, Méier, Cinelândia, Humaitá, Laranjeiras, Flamengo e Botafogo. Relatos de manifestações em outras cidades do Sudeste (São Paulo, Minas Gerais) e Nordeste (Bahia, Paraíba) também acompanharam o pronunciamento.

No Twitter, a hashtag #CunhanaCadeia atingiu a primeira posição dos trending topics desde o começo da tarde desta sexta-feira. Muitos criticaram a postura do presidente da Câmara e outros fizeram piada com a fala do peemedebista.


Na curta fala de Cunha, o deputado afirmou que o trabalho na Câmara "é pautado pelas demandas da sociedade". O parlamentar fez um balanço do trabalho na Casa e apresentou projetos já discutidos, como a redução da maioridade penal e a punição mais severa para assassinos de policiais. "Trabalhamos também pelo direito dos trabalhadores e tivemos apoio das centras sindicais. Aprovamos o fim da reelição e a PEC da Bengala", disse. "O Brasil vive uma crise e Câmara a avalia com critério. Vamos trabalhar com independência e coragem", encerrou.

Rompimento com o governo e criação de CPIs

Horas após romper oficialmente com o governo Dilma Rousseff, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, anunciou, nesta sexta-feira, a criação de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) que batem diretamente de frente com o governo: a do BNDES e a dos fundos de pensão.

A primeira delas já foi criada e servirá para investigar empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pauta defendida já há algum tempo por grupos favoráveis à queda da presidente da República.

Cunha após falar com imprensa sobre rompimento com o governo Dilma%2C nesta sexta-feiraAntônio Cruz/Agência Brasil

A segunda, por ora apenas autorizada devido ao excesso de CPIs ocorrendo ao mesmo tempo, pede a investigação da suposta manipulação na gestão de quatro fundos de pensão – indícios apontam para administração fraudulenta de recursos e de ligação com o esquema do doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato. Ela só deverá ser iniciada após o término da CPI do Sistema Carcerário, em agosto.

Cunha ainda criou CPIs para investigar maus tratos contra animais e crimes cibernéticos no País. Os líderes partidários terão 48 horas para indicar os membros das comissões – após esse prazo, o presidente da Câmara poderá indicar os membros de ofício. Apenas cinco CPIs podem funcionar ao mesmo tempo. Além dessas quatro, já estão em funcionamento a CPI da Petrobras e a do Sistema Carcerário.

Eduardo Cunha e deputados comemoram aprovação da proposta que reduz a maioridade penal para crimes hediondosFabio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil

Líder do PMDB, Picciani diz que Cunha tomou posição diferente

Líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ) soltará ainda hoje nota na linha da que foi divulgada pela direção nacional do partido - classificará de decisão pessoal o anúncio de Eduardo Cunha de que rompeu com o governo federal. 

Picciani vai jogar com o tempo. Dirá que, depois do recesso parlamentar, irá propor à bancada a convocação de instâncias superiores do PMDB para discutir a posição do presidente da Câmara. Na prática, a nota servirá para marcar uma distância entre Leonardo Picciani e Cunha, que vinham atuando de maneira muito afinada.

A grande maioria do PMDB nem quer ouvir falar em rompimento e teme que uma eventual solidariedade ao presidente da Câmara seja interpretada com uma espécie de associação em supostas irregularidades.

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