'Nossa luta é contra o governo', dizem agentes penitenciários em greve em SP

Balanço do sindicato aponta que 53 unidades prisionais estão com funcionamento parcial, de um total de 163

Por O Dia

São Paulo - Os agentes penitenciários em greve há cinco dias fizeram um ato nesta terça-feira, em frente ao Centro de Detenção Provisória (CDP) em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. Os grevistas fizeram um protesto com carro de som e faixas. Eles tinham a intenção de bloquear a Marginal Pinheiros, mas não chegaram a blequear a via.

Agentes penitenciários em greve fazem ato em Centro de Detenção Provisória de SPImprensa Sindasp

Nesta manhã, familiares dos detentos formavam fila na entrada do CDP para a entrega do "jumbo", um pacote com mantimentos e itens de higiene. De acordo com Jacques Luiz de Sá, diretor regional do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo, a entrega não foi prejudicada pela greve. “Não estamos freando essas atividades e as visitas, porque a gente entende que a nossa luta é contra o governo, não contra o preso.”

Segundo o diretor do sindicato, a paralisação nesta unidade é parcial. Os presos são liberados para atendimento médico e júri, mas o recebimento de novos detentos foi prejudicada pela redução de agentes atuando nessa atividade.

Em todo o Estado, o balanço do sindicato aponta que 53 unidades prisionais estão com funcionamento parcial, de um total de 163. Ainda, de acordo com o sindicato, dos 35 mil agentes, 20 mil aderiram à greve. Já a Secretaria da Administração Penitenciária informou que 16 unidades prisionais aderiram ao movimento. Em dez delas, segundo a secretaria, o funcionando é normal, sendo afetado apenas pelo bloqueio de alguns grevistas, na entrada das unidades.

Jacques explica que a greve atual é continuação da paralisação feita no ano passado, já que, para ele, acordos feitos com o governo não teriam sido cumpridos. “Tem 32 funcionários para serem exonerado, queremos que revejam a situação. A gente entende que não houve excesso por parte desses funcionários [durante a última greve].”

Em nota, a secretaria informa que o compromisso de cancelar processos administrativos disciplinares instaurados para a apuração de fatos ocorridos nos Centros de Detenção Provisória de Franca e Jundiaí e na Penitenciária de Iperó jamais foi assumido.

Os servidores reivindicam, além disso, o pagamento do Bônus de Resultado Penitenciário, decidido em acordo durante a greve do ano passado e que deveria ser concedido anualmente. Além disso, os grevistas pedem a reposição salarial por perdas da inflação.

Outra solicitação é o aumento da segurança para os trabalhadores. Na última quinta-feira, o agente Rodrigo Ballera Miguel Lopes, de 33 anos, foi morto a tiros em Campinas e quatro foram espancados – um no CDP-4 de Pinheiros, em São Paulo, e três na cidade de São José dos Campos. Lopes foi o oitavo agente penitenciário morto este ano no estado.

“Queremos a automatização das unidades, pois nos últimos dias, em várias unidades, os profissionais foram agredidos. Se for automatizado, diminui esse risco. A superlotação também é um problema que está evidente”, declarou Jacques.

Últimas de _legado_Brasil