A pedido da Polícia Federal, empreiteiros vão para cela comum

Presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez deverão ser transferidos para prisão estadual

Por O Dia

Paraná - Da vida de milionário ao dia a dia de presidiário. Este é o futuro de dois dos maiores empreiteiros do país, que deverão ser transferidos em breve para um presídio comum, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Eles terão de viver em um cubículo de 12 metros quadrados, onde o vaso sanitário é um buraco no chão, e o sol é prazer limitado a uma hora diária.

A pedido da Polícia Federal, os presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo, respectivamente, ambos presos por envolvimento no escândalo de corrupção da Petrobras, deverão ir para o Complexo Médico-Penal em Pinhais. Outros oito envolvidos no escândalo já estão detidos no local.

No Complexo, os presos terão mais espaço do que na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde as celas possuem seis metros quadrados. Mas lá, há vaso sanitário, diferente da latrina da prisão estadual. No novo endereço, os empresários poderão receber visitas às sextas-feiras. Também poderão poderão assistir TV e ouvir rádio.

Marcelo Odebrecht, Otávio Marques de Azevedo e outros funcionários das empreiteiras estão presos desde 19 de junho. Em Pinhais, estão presos o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção. A PF os acusas de crime de fraude em licitação, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, e organização criminosa. Os advogados deles negam envolvimento com o esquema de corrupção.

A transferência para o presídio depende de decisão do juiz federal Sérgio Moro, que conduz as investigações da Lava Jato na primeira instância. Ele quer explicações até hoje sobre mensagens de texto encontradas no celular de Odebrecht e que sugerem tentativas dele de atrapalhar as investigações realizadas pela PF.

Procuradoria da Suíça investiga construtora

Mais um problema na sequência de turbulências enfrentadas pela Odebrecht: a procuradoria-geral da Suíça ampliou a investigação sobre a corrupção na Petrobras e também apura irregularidades envolvendo a empreiteira. “Subsidiárias da Odebrecht são suspeitas de usar contas suíças para fazer pagamentos de propina a ex-executivos da Petrobras, que também mantinham contas bancárias na Suíça”, diz trecho de nota divulgada pelo gabinete do procurador-geral suíço.

Os suíços já informaram ao Ministério Público Federal do Brasil que o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró recebia dinheiro em pelo menos duas contas no exterior. O esquema denunciado na Europa também envolve o operador do PMDB, Fernando Soares, o Baiano.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, decidiu que o juiz federal Sérgio Moro não poderá proferir sentença na ação penal em que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é citado como destinatário de propina antes de prestar informações ao Supremo. Ele concedeu prazo de dez dias para que Moro se manifeste.

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