Eduardo Cunha usa ironia para atacar PT

Alvo da Lava Jato, peemedebista defende discussão do afastamento de Dilma antes do dele

Por O Dia

Brasília - Suspeito de envolvimento com desvio de dinheiro da Petrobras, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a atacar o PT e o governo. Desta vez, Cunha lançou mão da ironia para defender que os petistas discutam o afastamento da presidenta Dilma Rousseff antes de sair em defesa de sua saída temporária da presidência da Câmara.

Eduardo CunhaAgência Brasil

“Os mesmos princípios que eles têm para mim, eles devem ter para todos os quadros deles que são por ventura investigados ou suspeitos de qualquer coisa. Se eles pedem qualquer tipo de coisa em relação a mim, deviam começar pedindo o afastamento de ministros e talvez discutindo o da própria presidente. Talvez eles possam aderir à tese do impeachment”, afirmou Cunha.

Há dez dias, ele rompeu formalmente com o governo depois que um lobista o acusou de receber US$ 5 milhões em propina. Ontem, ele se recusou a responder a perguntas sobre a investigação de seu eventual envolvimento no escândalo da Lava Jato.

Segundo ele, a defesa de seu afastamento por dirigentes do PT o deixa satisfeito, uma vez que considera a legenda sua inimiga. “O PT é meu adversário, todos já sabem. Se ele tem pedido a minha destituição, só me dá alegria. Se o PT defendesse minha permanência, talvez eu pudesse estar errado”, disse,em tom de ironia.

Sobre os pedidos de impeachment da presidenta, Cunha argumentou que todos serão analisados de maneira técnica. “Impeachment não pode ser tratado como recurso eleitoral. Recurso eleitoral porque você não se satisfez não é a melhor maneira”, afirmou. Mas observou: “Os (pedidos de impeachment) que sanearem serão analisados sob a ótica jurídica. Os que tiverem fundamento terão acolhimento”.

Aos empresários, Cunha explicou que anunciou o rompimento político com o governo “como reação a uma covardia”. Disse ainda que não se constrangerá com “informações falsas” e não colocará a cabeça “dentro de um buraco”, em referência ao fato de ser investigado na Lava Jato.

“Fui vítima de uma violência com as digitais definidas. Não podia me acovardar e não reagir”, disse. Indagado sobre a quem pertenciam essas digitais, ele respondeu: “Basicamente, foi uma interferência do Poder Executivo, que todo mundo sabe que não me engole”.

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