Governo teme que Cunha transforme Câmara em 'bunker' da oposição

Dilma se movimenta para mostrar disposição para dialogar com lideranças do Congresso; nesta segunda, recebe líderes e presidentes de partidos da base para jantar no Alvorada

Por O Dia

Brasília - O ministro da Defesa, Jaques Wagner, disse que o governo se preocupa com a manutenção da “institucionalidade” da Câmara na retomada dos trabalhos do segundo semestre e após o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter se declarado seu rompimento com o Planalto. Após participar da reunião da coordenação política que ocorre todas as semanas com a presidente Dilma Rousseff, Wagner disse que o comportamento de Cunha preocupa o governo.

“A preocupação geral que se tem é que se mantenha a institucionalidade da Casa. O papel do presidente da Casa, independente de não ser vedado a ele ter suas preferências, mas é um papel de magistrado e, portanto, de manter o equilíbrio da Casa. Eu acho estranho se a presidência da Câmara dos Deputados se transformar no bunker organizador da oposição. Isso é papel das lideranças da oposição”, disse o ministro.

Cunha anunciou seu rompimento com o governo durante o recesso parlamentar após se ver acuado, diante das acusações feitas pelo empresário Júlio Camargo no âmbito da Operação Lava Jato. Em seu depoimento, obtido sob delação premiada pela força-tarefa, Camargo acusa Cunha de R$ 5 milhões em propina do esquema investigado.

Tão logo anunciou o rompimento, Cunha partiu para o ataque criando duas CPIs contrárias aos interesses do governo: uma para investigar os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) durante os governos petistas, além da comissão para investigar os fundos de pensão estatais. Para estas duas comissões, Cunha tem articulado para dar o comando aos opositores do governo do PSDB ou do DEM.

Hoje, após a reunião, Wagner disse ainda que não é papel do governo apostar na aliança com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como forma de criar no Senado um contraponto às ações de Cunha na Câmara. Ele ressaltou que Renan sempre foi da base do governo, ressalvados alguns momentos e que não é estratégico por parte do governo estimular a rivaliadade entre ele e Cunha, em um ambiente político já tumultuado.

“Renan é um homem que está na base do governo. Não há por que ficar fazendo contraponto entre presidentes das duas casas. Renan se declara na base. Não seria positivo estimular mais guerra num ambiente conflituado. Quem é governo quer paz”, disse Wagner.

O Planalto tem se movimentado para criar um clima menos hostil no Congresso do que foi no primeiro semestre. Nesta segunda-feira, a presidente Dilma receberá para jantar no Palácio da Alvorada todos os presidentes de partidos e líderes da base. A ideia é demonstrar disposição para o diálogo.

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