Temer busca apoio de Cunha para pacote

Medidas anticrise tiveram o aval de Lula que se reuniu com senadores da cúpula do PMDB ,no Palácio do Jaburu

Por O Dia

Brasília - Horas depois de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se reunido com o vice-presidente Michel Temer e lideranças do PMDB no Senado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse ontem que está disposto a avaliar as medidas da chamada “Agenda Brasil”. As propostas foram apresentadas pelo PMDB no Senado à presidenta Dilma Rousseff. Cunha observou, no entanto, que até agora, o que se viu foi um “jogo de espuma sem conteúdo concreto”.

“Não se pode achar que vai construir uma agenda única, que vai se votar e virar lei. Não é assim que funciona. Não se pode ignorar que há outra Casa Legislativa”, afirmou Cunha. “Até agora, nós vimos apenas um jogo de espuma sem conteúdo concreto, utilizando parte da espuma que veio da própria Câmara dos Deputados anteriormente.”

Cunha participou de almoço com Temer e a bancada do PMDB na Câmara.Mais cedo, em café da manhã com Lula, Temer disse que iria procurar o presidente da Câmara para conversar sobre a “Agenda Brasil”.

Cunha lembrou que algumas das propostas sugeridas têm origem na Câmara, como o projeto da terceirização trabalhista. “A terceirização já foi votada na Câmara dos Deputados há quatro meses. A lei da responsabilidade das estatais é de nossa autoria e tem uma comissão mista tratando dela com prazo pra acabar. Há algumas que são nossas, e outras que chegarem iremos estudar”, disse.

Durante o café da manhã no Palácio do Jaburu, Lula disse que o plano contra a crise é “ positivo” e defendeu que o governo federal o apoie.

Cercada pela crise política e econômica, Dilma Rousseff encampou o pacote de reformas apresentado por líderes do Senado para retomar o crescimento.Para Planalto, a aproximação com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode isolar Cunha, que impôs sucessivas derrotas ao governo ao patrocinar projetos que aumentam gastos públicos. Com o apoio do governo, o Senado promete barrar os projetos aprovados pelos deputados que ameaçam o equilíbrio fiscal.

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