FHC defende renúncia de Dilma Rousseff

Ministro diz manifestações foram normais e que Brasil precisa quebrar clima de “pessimismo”

Por O Dia

Brasília - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sugeriu que a presidenta Dilma Rousseff (PT) renuncie ou admita seus erros para evitar a desarticulação do governo e do Congresso. A declaração foi uma das que agitaram o meio político e as redes sociais em resposta às manifestações pelo impeachment da petista, que no domingo levaram mais de 870 mil pessoas às ruas por todo o Brasil.

Fernando Henrique no Facebook: renúncia seria “gesto de grandeza”Reprodução GloboNews

Menores que os protestos de março, as mobilizações mereceram atenção do governo, que classificou os atos como “normais dentro da democracia”, e destacou a necessidade de “quebrar o clima de pessimismo e intolerância”, de acordo com avaliação feita pelo ministro da Comunicação Social, Edinho Silva. No Twitter, a hashtag #CarnaCoxinha, que ironizava os protestos, ficou no topo dos assuntos mundiais durante o protesto.

Fernando Henrique escreveu no Facebook que a renúncia de Dilma seria um “gesto de grandeza” e que os atos de ontem demonstram uma insatisfação geral responsável por tornar o governo “embora legal, ilegítimo”. “A esta altura, os conchavos de cúpula só aumentam a reação popular negativa e não devolvem legitimidade ao governo”, disse.

Após reunião do núcleo de coordenação política do governo, Edinho Silva concedeu entrevista coletiva e pediu “otimismo” à população em um momento de “intolerância política, cultural e religiosa”. Ao lado dele, o líder do governo no Senado, José Pimentel (PT-CE), defendeu a aproximação do Planalto e com Renan Calheiros (PMDB-AC), presidente da Casa, que apresentou um conjunto de propostas para votação, a chamada Agenda Brasil. “É um momento difícil da vida brasileira, que temos de trabalhar para que a gente possa desfazer esse ambiente de intolerância”, afirmou o ministro.

Para o cientista político da Uerj Fernando Lattman-Weltman, o quadro político do governo Dilma segue “indefinido”, mas não há nada que justifique a renúncia da presidenta, defendida por FHC. “O governo está agora procurando um entendimento, pelo menos com o Senado. Por maior que sejam os atos, é ilusão achar que mudar o presidente vai resolver o problema”, afirmou. “Pelo menos na semana passada, o clima no Congresso melhorou. O país não pode parar, não dá para esperar uma solução para crise política para pensar nos problemas econômicos”, destacou Weltman.

Sede do PT atacada em SP

Pela quarta vez no ano, um prédio que ligados ao PT foi atacado em São Paulo. Na madrugada de domingo para segunda, a sede do diretório municipal petista foi invadida, gavetas e armários foram vasculhados, mas nada foi levado. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial da Sé e peritos estiveram no local.

Antes, já havia ocorrido ataque à sede do PT em Jundiaí, e bombas foram arremessadas nas sedes do Diretório Zonal PT-Centro e do Instituto Lula. Na ocasião, a organização mantida pelo ex-presidente foi atingida por uma bomba-caseira. A PM de São Paulo investiga os ataques. “O PT municipal entende que é preciso investigar e apurar o caso com prioridade, diante dos fatos que já ocorreram”, diz nota divulgada pelo diretório de São Paulo ontem. Para o presidente do partido no município, Paulo Fiolito, é “estranho” o fato de os invasores não terem levado nada. “Dessa vez entraram, mas não levaram nada. Porque se fosse para levar alguma coisa, poderiam levar monitor, HD, um monte de coisas. Não estamos descartando absolutamente nada. Estamos pedindo que a polícia apure para que a gente possa tomar as medidas cabíveis. É estranho porque a pessoa que entra e não leva. Queremos que a polícia apure e a partir daí a gente vai tomar uma decisão”, declarou Fiolito. A Secretaria de Segurança de São Paulo informou que as investigações começaram, e que imagens de câmeras de segurança serão solicitadas.

Criminalização de golpistas

Os defensores de uma intervenção militar para “salvar o país do comunismo”, que apareceram por todo o Brasil nas manifestações anti-Dilma e anti-PT, podem se tornar criminosos, caso seja aprovado projeto de lei do deputado federal Wadson Ribeiro (PC do B - MG). Ele protocolou a proposta nesse sentido em março, e ainda aguarda a entrada da medida em pauta, que prevê a prisão de três a seis meses para quem “praticar apologia ao retorno da ditadura militar”.

“É como fazer apologia ao nazi-fascismo, à escravidão. Pedir ditadura é atentar contra a democracia. Naquele tempo, e foi muito duro reconquistar a nossa liberdade, ninguém poderia ir às ruas”, afirmou Wadson.

No Rio, no domingo, os intervencionistas eram liderados pelos grupos ‘Acorde Brasil’ e ‘Comissão Nacional de Mobilização Cívica’. Em um carro de som, lideranças desfilaram batendo continência, afirmaram que queimariam suas camisas vermelhas, e sugeriram que Dilma se suicidasse “como Getúlio Vargas”. “Nem toda manifestação é justa ou pode ser permitida”, afirmou Wadson, que torce para celeridade do projeto na Casa. “Quero ver quem vai ter coragem de defender a ditadura”.

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