CPI fará devassa em contratos de amistosos da seleção brasileira

Senadores querem esclarecer termos de acordo entre a CBF e empresa saudita responsável por promover jogos no país

Por O Dia

Brasília - Os amistosos da seleção brasileira serão o primeiro alvo de um pente fino da CPI do Futebol. Embora os senadores não tenham votado na manhã desta terça-feira os requerimentos necessários, eles deverão ser votados pela comissão na próxima quinta-feira. Um dos principais alvos da comissão neste momento é a empresa ISE, que tem contrato com a Confederação Brasileira de Futebol para a realização dos amistosos da seleção brasileira.

“Vamos solicitar uma série de pedidos de informação sobre contratos que a CBF tenha no âmbito nacional e internacional. Não só da comercialização e venda da imagem da seleção brasileira, mas também de patrocínio”, diz o relator da CPI, senador Romero Jucá (PMDB-RR). A ISE é uma subsidiária do Grupo Dallah Al Baraka, que atua na Arábia Saudita. Causou curiosidade entre os parlamentares o fato de a empresa ter como endereço sede uma caixa postal nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal localizado no Caribe.

Romário é o presidente da CPI que fará devassa em contratos de amistosos da seleção brasileiraAgência Senado

Diante de tal fato, o presidente da CPI, senador Romário (PSB-RJ), afirma tratar-se de uma empresa fantasma na gestão dos amistosos da seleção brasileira. Um dos convidados da CPI nesta terça-feira, o jornalista Jamil Chade repassou alguns contratos para as mãos dos senadores. Um deles, justamente aquele firmado entre CBF e ISE. Segundo Chade, haveria uma exigência por parte da ISE em relação à escalação da seleção nesses jogos.

O jornalista afirmou que o grupo ISE pagou, até 2012, US$ 1,1 milhão à CBF por cada amistoso da seleção. Esse contrato teria sido renovado naquele mesmo ano, quando a empresa de origem saudita teria passado a pagar US$ 1,05 milhão por amistoso. Cabe à ISE toda a parte de organização dos jogos, desde a logística, passando pela escolha do adversário e local do jogo. Segundo Chade, esse contrato exige que o Brasil jogue com seu “time A”. Caso isso não aconteça, a CBF receberia somente 50% do valor previsto.

De acordo com Romário, Neymar seria hoje uma exigência clara da ISE. “Tanto que até com caxumba ele é escalado”, diz o presidente da CPI numa referência à última convocação feita pelo técnico Dunga, que anunciou uma lista de 24 atletas. Tradicionalmente essa lista de convocados tem 23 jogadores. Neymar ficaria em compasso de espera e caso pudesse se restabelecer da enfermidade, entraria em campo.

Além dos contratos para a promoção de amistosos, o relator da CPI diz ainda que será feita toda uma gama de requerimentos no sentido de desnudar os contratos da CBF com seus patrocinadores. Em especial, foi citado o contrato fechado com a General Motors do Brasil. A CPI também pretende obter informações a respeito da relação da CBF com as federações estaduais.

“Vamos querer saber também a respeito da transferência de recursos para as federações. Ou seja, estamos começando a levantar todos os dados e, a partir daí, os desdobramentos virão com a convocação de mais pessoas e, se necessário, a quebra de sigilo bancário”, explica o relator.

Jucá afirma que os requerimentos de convocação de convidados a falar na comissão deverá vir numa segunda etapa. De acordo com Jucá, é preciso primeiramente fechar as requisições de informações para que os parlamentares possam ter informação suficiente para questionar os convocados. Ele confirmou que a lista de convocados deverá ter o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e do atual mandatário Marco Polo Del Nero.

“Todos os fatos têm de ser levantados, os dados tem de ser cruzados para que a vinda do ex-presidente (Ricardo Teixeira) e do atual presidente (Marco Polo Del Nero) possam efetivamente ser confrontadas com a realidade e com o maior nível de informações necessárias. Trazer qualquer um deles no início do processo de levantamento de dados poderia levar à necessidade de trazê-los de novo mais a frente. Então para ganhar tempo e a gente se aprofundar nos dados é importante fazer uma investigação circunstanciada, objetiva”, afirma o relator.

Fonte: IG

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