Por bferreira

São Paulo - Depois dos donos de construtoras e lobistas, o ex-presidente do PP Pedro Corrêa deverá ser deve ser o primeiro político a fazer acordo de colaboração premiada na Operação Lava Jato. Condenado no mensalão, Corrêa está preso em Curitiba sob a acusação de envolvimento no esquema que investiga desvios de recursos na Petrobras.

Para fazer a delação premiada, a defesa de Corrêa passará a ser feita por Adriano Bretas, um dos advogados do doleiro Alberto Youssef, que está entre os delatores do esquema. Alexander Loper é outro advogado que acompanhará Corrêa na delação.

O juiz federal Sérgio Moro disse que ouviu de diversos delatores do esquema de corrupção que atuava na Petrobras que o pagamento da propina em contratos da estatal era uma espécie de “regra do jogo”. Moro também rebateu as críticas de que a Operação Lava Jato estaria causando prejuízos à economia, ao investigar as maiores empresas de infraestrutura brasileiras e, com isso, paralisá-las.

“O policial que descobre o cadáver não é o culpado do homicídio. Por mais que eventual impacto que a Operação Lava Jato tenha no curto prazo nas decisões de investidores, no longo prazo esse enfrentamento da corrupção sistêmica traz ganhos a todos, às empresas e à economia”, disse o juiz, durante seminário, em São Paulo.

Dirceu fica em silêncio em depoimento

Horas depois de ficar calado durante depoimento à CPI da Petrobras e, mais tarde, à Polícia Federal, o ex-ministro José Dirceu pediu transferência para o Complexo-Médico Penal (CMP), presídio localizado em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Apontado pela força tarefa da Lava Jato como um dos líderes do esquema de corrupção da Petrobras, Dirceu está preso desde 3 de agosto na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. “O espaço reduzido não comporta os mesmos benefícios conferidos em um presídio, tais como visitas familiares por período maior e a possibilidade de ter acesso a locais maiores e mais abertos. Essa condição, a longo prazo, certamente causará prejuízos à saúde de José Dirceu, que já tem mais de 70 anos”, argumentaram os advogados do petista.

O depoimento de Dirceu aos integrantes da CPI, que foram até Curitiba, durou menos de 15 minutos. Mais magro, o ex-ministro estava visivelmente abatido e desconfortável com a situação. Ele optou por ficar calado, mesmo procedimento adotado em depoimento à PF.

Você pode gostar