'O que temos é um sistema estruturado de corrupção', diz Gilmar Mendes

Ministro liberou ação direta de inconstitucionalidade sobre doações de empresas a partidos e candidatos

Por O Dia

Brasília - O ministro Gilmar Mendes liberou do pedido de vistas a ação direta de inconstitucionalidade em que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contexta a legislação para impedir que empresas doem a partidos e a candidatos.

Em entrevista ao iG, Mendes afirmou que a questão pautada pela Operação Lava Jato tem no tema campanha eleitoral somente uma parte do problema relacionado à corrupção. A OAB diz que doações de empresas deturpam o processo eleitoral.

“Também estou convencido do que todo mundo diz, que a doação tem a ver com uma troca, com a corrupção. O que estamos vendo hoje de forma muito clara? Essa questão que está posta da Lava Jato tem a ver com campanha eleitoral? Não. Ou só em parte. A rigor, o que temos é um sistema estruturado de corrupção”, disse o ministro.

Após Câmara reverter texto sobre doações de empresas a partidos e candidatos, o ministro do STF Gilmar Mendes liberou uma ação direta de inconstitucionalidadeAgência Brasil

Segundo ele, o embate entre Câmara dos Deputados e Senado Federal a respeito da doação de empresas para campanhas não foi o motivo de sua decisão de liberar o processo. “Não prestei atenção no horóscopo."

Mendes ressaltou que na próxima semana falará a respeito da experiência que teve como relator das contas da campanha da presidente Dilma Rousseff e das conclusões que chegou a respeito do tema sob o ponto de vista da ação que trata de doação de empresas para candidatos e partidos.

“Fiquei feliz de ter pedido vistas desse caso. Até por uma coincidência, um acaso, acabei sendo relator das contas da presidente Dilma e aprendi muito com a relatoria", disse. "Sabemos que o problema, hoje, não está só no financiamento, mas na forma de gastar, e isso a gente só sabe quando examina contas de campanha. Foi útil para o tribunal ter uma parada para reflexão para fazer uma avaliação dessa temática."

Para ele, bem mais do que as doações de empresas, é o modelo de governança que leva à corrupção. “O gerente da Petrobras, o Barusco, que agora virou uma medida monetária, o que ele aceitou devolver corresponde aos gastos da campanha da presidente, R$ 360 milhões, algo por aí. Então, o que estamos aprendendo? É que esse sistema de corrupção não tem diretamente a ver com campanha eleitoral. Tem a ver com um modelo de governo, de governança, com a prática de governar", resumiu.

Fonte: IG

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