Por karilayn.areias

Rio - A Justiça Militar de São Paulo atendeu ao pedido da Corregedoria da PM e determinou a prisão temporária de 11 policiais flagrados executando dois suspeitos durante operações na zona Oeste da capital paulista.

Sete dos acusados atuavam no 23º Batalhão da PM e outros quatro estavam a serviço pelo 16º Batalhão. Entre os acusados estão um tenente e um cabo da polícia.

Vídeo flagra ação de policial que jogou suspeito de cima do telhado de uma casa%2C na zona Oeste de SPReprodução

As operações que resultaram nas mortes de Paulo Henrique de Oliveira e Fernando Henrique da Silva, suspeitos de terem praticado um assalto no bairro do Butantã, foram flagradas em vídeo.

Imagens de câmeras de segurança mostram Paulo Henrique se entregando, inclusive levantando a camisa para mostrar que não estava armado. Em seguida, ele é colocado contra um muro, fora do alcance da câmera, momento em que teria sido morto. O vídeo mostra um dos policias pegando uma arma na viatura para forjar um confronto e justificar a morte do suspeito, de acordo com o promotor Rogério Zagallo, que acompanha o caso.

“No 51º DP [Distrito Policial], eles registraram uma ocorrência completamente mentirosa de que as duas mortes teriam acontecido em trocas de tiros. Quando, na verdade, o que ocorreu foram duas execuções covardes e cruéis”, enfatizou o promotor. De acordo com o ele, as prisões provisórias valem por 30 dias, e podem ser prorrogadas por mais um mês.

Em outro vídeo, feito pelo celular de uma testemunha, um policial é visto jogando Fernando Henrique de cima do telhado de uma casa. 

Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado, a Corregedoria da PM dará sequência no procedimento para que os 11 policiais que tiveram a prisão temporária decretada sejam expulsos da corporação. Eles serão transferidos para o presídio militar Romão Gomes, na zona Norte da cidade.

O promotor Rogério Zagallo reclamou das dificuldades enfrentadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público para ter acesso aos resultados da investigação da Corregedoria da PM. “A corregedoria alega que não tem o poder de compartilhar com ninguém as provas que ela obtém, somente à Justiça Militar. Só que a Justiça Militar é incompetente para julgar esse tipo de coisa. A Constituição fala que, no caso de homicídio doloso praticado contra civil, o órgão competente é o tribunal do juri”, destacou

Em nota, a SSP informou que outros quatro militares que haviam sido presos disciplinarmente serão transferidos para serviços administrativos até o término da investigação, já que não houve indícios suficientes da participação deles nos crimes.

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