Por bferreira

Paraná - O exemplo estava ao lado. A crise hídrica que flagela o estado de São Paulo, com reflexos sentidos no Rio de Janeiro começará a ser combatida com um projeto desenvolvido há 12 nos pela empresa Itaipu Binacional, em parceria com 29 prefeituras da região do reservatório da maior hidrelérica do mundo, o Cultivando Águas Boas (CAB). O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, anunciou ontem em encontro internacional em Foz do Iguaçu, no Paraná, que vai procurar o governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, para reproduzir as práticas de reflorestamento de margens, proteção de nascentes e aproveitamento de água de chuva no sistema Cantareira. A medida beneficiará a vazão do Rio Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro. Dos quatro reservatórios do Rio, três - inclusive o maior deles, Paraibuna - ficam no estado vizinho.

Mata nativa replantada às margens de rios%2C antes devastadas com plantações. Divide plantações intensivas e protege nascentes e riosDivulgação

"Os sistemas hídricos da região Sudeste, como o Cantareira, em São Paulo, têm margens devastadas, conflitos de posse, não há cercas de nascentes, então o CAB vai ser ampliado e implementado. A situação é muito grave em São Paulo e no Rio de Janeiro e não é compreensível que os dois estados da federação, como chegou a ser anunciado o início do ano, briguem pela água na Justiça. A população brasileira vive 85% dela em cidades e 60% destas em regiões metropolitanas e precisamos de alternativas sustentáveis para a questão da água", detalhou Andreu.

O CAB foi criado em 2003. Desde então, 1340 Km de margens de rios foram reflorestadas, com uma faixa de 240 metros de largura dos dois lados dos rios, em média, e mata nativa com 72 espécies. Uma das faixas liga o Parque Nacional do Iguaçu ao reservatório de Itaipu.  São beneficiados cerca de 1 milhão de moradores "A unidade da natureza não é política ou social. Não há agrupamento humano que não seja em torno de uma microbacia hidrográfica, pois sem água, não há vida", explicou o diretor de Coordenação e Meio-Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrich.

Segundo ele, o projeto contempla, pelo menos, outras 10 iniciativas ambientais: produção de alimentos orgânicos, cercamento de nascentes de água e incentivo à captação, tratamento e utilização de água da chuva estão entre eles. "No caso das nascentes, se o boi chega ao local, ele mata a nascente pisoteando o terreno. Elas precisam ser cercadas. Quanto à água de chuva, apenas 40% da água que consumimos precisa ser nobre, então, por que desperdiçar este recurso?", questionou Friedrich.

O encontro em Foz do Iguaçu começou na terça-feira, termina hoje e marca o fim da Década da Água, das Nações Unidas (ONU). O objetivo é criar uma rede global de iniciativas sociais de sustentabilidade do recurso e ampliar as boas iniciativas. O projeto Cultivando Águas Boas foi premiado este ano pela ONU. Representantes de 20 países participam do evento, apresentando suas iniciativas.  "Não podemos parar aqui. Temos que ir mais adiante e nos conscientizarmos da necessidade de conquistarmos a sustentabilidade da água no planeta nos próximos 50 anos”, conclamou a vice-presidente da ONU-Água, a mexicana Blanca Jimenez.

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