'Vamos depender da sorte dos outros', diz Cunha em relação a jogos de azar

Presidente da Câmara dos Deputados criticou a possibilidade da legalização desses jogos no país

Por O Dia

Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados criticou a possibilidade de que jogos de azar e cassinos sejam legalizados no Brasil para ajudar na arrecadação do governo federal. A possibilidade foi discutida durante reunião da presidente Dilma Rousseff com líderes da base na Câmara e ministros. A presidente teria sondado a receptividade da legalização de jogos no Congresso. De acordo com Cunha, depender desse tipo de receita para resolver o problema das contas públicas é passar a margem do problema.

“O problema é que o governo não corta seus gastos. Acho que tudo isso pode ser debatido, formas de ter mais receitas, para que a gente possa resolver mais problemas do país, mas não necessariamente para equilibrarmos as contas. País que depende de jogo de azar para poder resolver suas contas é mais ou menos igual ao trabalhador que não tem salário e vai para um cassino para ganhar dinheiro para poder pagar suas despesas, é a mesma coisa. Não podemos ir para um cassino para resolver nossos problemas”, criticou ele.

'Vamos depender da sorte dos outros', ironiza Cunha em relação a jogos de azarMarcelo Camargo / ABR

A discussão em torno de uma possível legalização de jogos de azar incluiria a liberação do jogo do bicho, caça-níqueis, bingos e cassinos. Seria uma forma de obter verbas num momento em que o governo sofre com a retração econômica e a consequente perda de arrecadação. O Executivo apresentou um orçamento deficitário para o próximo ano e foi alvo de críticas.

Cunha, que se disse contrário a legalização de jogos, afirmou que a proposta talvez pudesse ter boa aceitação entre seus colegas, mas acrescentou que isso não pode ser uma forma de buscar tapar o rombo das contas. “O governo vai buscar toda a forma de receita. Particularmente, sou contrário a jogos. Acho que tem boas chances de aprovar na Casa se votar um projeto desses. Não vejo na Casa uma posição como a minha ser a predominante. Agora, se dependeremos disso para regularizar as contas públicas estamos de novo tangenciando o problema”, disse ele. “Vamos depender da sorte dos outros”, ironizou ele.

Dilma quer legalizar os jogos de azar

De olho em mais dinheiro para o caixa do governo, a presidenta Dilma Rousseff estuda liberar todo o tipo de jogatina no país: desde o jogo do bicho, passando pelo bingo e caça-níquel, até os cassinos. Em reunião com líderes da base aliada, Dilma sondou os parlamentares sobre a receptividade nas bancadas da legalização dos jogos de azar. A taxação desse tipo de jogo garantiria mais recursos aos cofres públicos.

“Na internet hoje já se consegue jogar. Podemos estender a legalização para cassinos, bingos. Os ministros apresentaram a ideia hoje e pediram para verificar nas bancadas. Na Câmara, também tem receptividade. A presidente perguntou o que a gente achava e muitos líderes disseram apoiar”, contou o líder do PR, Maurício Quintella Lessa (AL), que participou da reunião com Dilma.

Antes de tratar ontem do assunto com os deputados, a presidenta já tinha consultado os senadores na semana passada. A sugestão inicial partiu do senador Benedito de Lira (PP-AL), que mencionou um projeto para regularizar os jogos de azar.

A proposta em tramitação no Senado determina que entre 60% e 70% do arrecadado vá para a premiação, 7% para os Estados, 3% para os municípios, e o restante, para a empresa autorizada a explorar a atividade do jogo. Segundo o senador Benedito de Lira, o projeto geraria uma arrecadação de cerca de R$ 20 bilhões ao ano. Caso o governo encampe a ideia, a tendência é que altere o texto reservando parte da tributação para a União.

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