Lava Jato: Em CPI, delegado apresenta lista de policiais a serem perseguidos

Mario Fanton, que presidiu inquérito para apurar a possível confecção de dossiês fabricados para melar operação, cita a parlamentares nomes que deveria pressionar em investigações

Por O Dia

Paraná - Ouvido em sessão reservada da CPI da Petrobras, o delegado Mario Fanton apresentou aos deputados um organograma contendo nomes e ligações de policiais e autoridades que deveriam ser perseguidas nas investigações que ele conduziu na Superintendência da Polícia Federal do Paraná no primeiro semestre deste ano. Na lista, há nomes de delegados e agentes da Polícia Federal e também do deputado federal Fernando Francischini (SDD-PR), conforme o iG revelou.

O iG teve acesso à cópia do organograma em que supostamente delegados que atuam no núcleo da Lava Jato teriam sugerido nomes de policiais e autoridades como alvo de pressão nas investigações que seriam conduzidas por Fanton. O organograma foi rabiscado em folha sulfite com caneta azul e traz nomes diversos, alguns deles interligados por setas, indicando suposta relação dentro de círculos de relacionamento. 

Delegado apresentou aos deputados um organograma contendo nomes e ligações de policiais e autoridades que deveriam ser perseguidas nas investigaçõesMarcelo Camargo / ABR

O organograma que Fanton apresentou aos deputados na CPI da Petrobras tem nomes de peso, como o do desembargador Edgar Antonio Lippmann, do superintendente da Polícia Federal no Mato Grosso do Sul, Ricardo Cubas Cesar, do secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, e do deputado Francischini.

A interlocutores, Francischini tem dito não levar em consideração o fato de seu nome estar na lista apresentada por Fanton à CPI por não saber sequer a autoria e autenticidade da lista. Ele também estaria alheio ao episódio por acreditar que esse tipo de coisa é fruto de uma disputa política entre os policiais federais e não querer que isso contamine a Operação Lava Jato.

Também constam como alvos que deveriam ser pressionados por Fanton os nomes dos agentes Ronaldo Massuia da Silva, Rodrigo Gnazzo e Paulo Romildo (conhecido como Bolacha e que foi responsável pela carceragem da Superintendência da Polícia Federal do Paraná na época em que Alberto Youssef foi preso, em 2014, e dividiu cela com o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa).

Dossiês e grampos

Fanton foi o responsável pela investigação de policiais que supostamente estariam acordados com advogados de presos da Lava Jato para a confecção de dossiês que pudessem melar a operação na Justiça. Dentro dessa investigação, ele passa a desconfiar da ação de Igor Romário de Paula, delegado regional de Combate ao Crime Organizado, e da esposa dele, Daniele Gossenheimer Rodrigues, delegada-chefe do Núcleo de Inteligência. 

iG teve acesso à cópia do organogramaiG

Em despacho, Fanton afirma que ambos supostamente estariam agindo para “ter ciência e manipular provas”. Diante disso, ele sugere, no mesmo despacho, que nova sindicância fosse feita para apurar a existência de grampos na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, um localizado dentro da cela 5 da carceragem, ocupada por Alberto Youssef, e outro no “fumódromo” da Superintendência. Este último, sabidamente ilegal, conforme o iG revelou.

Deputados ouvidos pela reportagem afirmaram que em sua fala na CPI, Fanton acusou parte de seus colegas na Superintendência da Polícia Federal do Paraná de tentar direcionar suas investigações, justamente com o objetivo de atingir esses nomes e supostamente tentar associá-los a atos ilícitos. 

Por traz disso haveria uma enorme disputa política interna entre os policiais federais que comandam a Lava Jato e aqueles que não estariam concordando com a forma como algumas ações eram conduzidas dentro da operação, entre elas, instalação de grampos sem autorização judicial.

Procurada, a Polícia Federal do Paraná não respondeu até a publicação desta reportagem.

Fonte: IG

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