'Eduardo Cunha e Paulinho agem por vingança contra mim', diz Chico Alencar

Deputado líder sindical, aliado do presidente da Câmara, entra com representação no Conselho de Ética contra líder do PSol

Por O Dia

Rio - Um dia depois de sofrer acusação no Conselho de Ética da Câmara por uso de dinheiro público em sua campanha, o líder do PSol na Casa, Chico Alencar, parecia tranquilo ao atender a reportagem do DIA, por telefone, enquanto descansava ao lado de familiares no interior paulista. O deputado Paulinho da Força (SD-SP) entrou com uma representação pedindo a cassação do mandato do psolista, alegando que Chico obrigava funcionários de gabinete a doar parte dos salários para a campanha eleitoral, além de usar empresa fantasma para a confecção de cartazes e santinhos.

Em discurso no plenário, na quinta-feira, Chico se defendeu das acusações e chamou o líder sindical de 'Paulinho Mandado de Cunha'. Na conversa com a reportagem, ele confirma não ter dúvidas que o deputado do Solidariedade e  Eduardo Cunha agiram em comum acordo e por vingança. Partiu do PSol e da Rede o pedido de cassação de Eduardo Cunha por quebra de decoro. 

Chico rebateu as acusações de Paulinho da Força: "Paulinho Mandado"ABr

"Eu tenho certeza que Cunha e o 'Paulinho Mandado' agem por vingança. É uma estratégia, uma tática para desviar o foco das acusações contra o presidente da Câmara. Quando eu o procurei, o Paulinho foi lembrar que em 2007, veja só, o PSol entrou com uma representação contra ele", contou Alencar.

As denúncias

Ele rebateu as acusações que constam na representação enviada ao Conselho de Ética. Negou que obrigue funcionários a doar para a campanha. "Todos foram doadores voluntários, como eu próprio fui, num total que representou um dos menores gastos entre os 46 deputados federais eleitos no Rio de Janeiro. Só faz esse tipo de acusação quem não conhece ou não tem respeito a minha história", disse, lembrando que os deputados que o acusam receberam grandes doações de empresas privadas. Em delação premiada , o presidente da UTC, envolvida no escândalo da Lava Jato, afirmou ter doado R$ 500 mil para Paulinho com o objetivo de evitar greves que paralisassem obras tocadas pela empresa.

"É estranho, não ilegal, mas estranho para a posição de sindicalista que ele ostenta, receber milhões de empresas, do patronato. E o 'seu' Eduardo Cunha receber quase R$ 7 milhões de empresas privadas.  O Paulinho é que tem de se explicar no STF sobre a acusação de desvio de dinheiro do BNDES". 

Na outra denúncia do Solidariedade, Chico teria contratado uma empresa fantasma que emitiu notas fiscais frias para o deputado federal. O líder do PSol afirma que a Sede informática, citada na representação ao Conselho de Ética, fazia o trabalho de manutenção do site do mandato desde 2003 por R$900 mensais. Segundo ele, em julho de 2014, um ativista político que investiga irregularidades nas contas públicas alertou que a empresa havia ficado com o CNPJ inativo por dois anos e meio, mas continuou emitindo arbitrariamente as notas fiscais para o gabinete do parlamentar. O valor total referente ao período irregular foi de R$ 27 mil.

"A Sede Informática alegou que estava em mudança de regime tributário e por isso ficou nessa condição, baixada na Receita", declarou. "Foi uma irresponsabilidade do dono, mas, para evitar o uso político, como esse desqualificado do Paulinho está fazendo agora, ressarci ao erário todo o valor", disse ele, ao ressaltar que o Ministério Público reconheceu não ter havido má-fé. "Foi comprovado que o serviço foi prestado".

O líder do PSol na Câmara diz que só vai começar a preparar a defesa após receber a notificação. "Vai dar um certo trabalho, disse com tranquilidade. "Mas eu só quero ver com que celeridade essa retaliação vai andar. Se vai ser devagar como a representação contra o Eduardo Cunha andou".  O deputado federal estuda se entrará com ação contra Cunha e Paulinho na Justiça por danos morais. "Eu vou pensar, mas, com certeza, a justiça vai ter que prevalecer", afirmou.

A empresa Sede Informática o deputado Paulinho da Força e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foram procurados, mas não retornaram os contatos até o fechamento da reportagem.  


  





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