Eduardo Cunha mostra passaportes com 37 viagens à África

Negócios com o Congo e o Zaire são a justificativa para dinheiro em bancos suíços

Por O Dia

Brasília - Na tentativa de comprovar a versão de que realmente vendeu carne enlatada, na década de 1980, do Brasil para o Congo e o Zaire, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apresentou ontem cópias de seus passaportes a líderes partidários. Os passaportes foram mostrados às lideranças partidárias após almoço na residência oficial da Câmara, durante o cafezinho. Segundo os líderes, os documentos exibem 37 carimbos de entrada nos dois países africanos.

Cunha promete entregar até o dia 16 defesa ao Conselho de Ética Agência Brasil

Cunha justificou como fonte para ter obtido o dinheiro que manteve no exterior a venda de produtos, entre eles carne enlatada, aos dois países africanos e operações no mercado financeiro. Aos líderes, além de carne enlatada, Cunha disse que vendeu também itens como arroz, feijão e açúcar. Os produtos, segundo o presidente da Câmara, eram embarcados em contêineres.

No almoço, Cunha reafirmou o que disse em uma série de entrevistas na semana passada. Negou ter contas no exterior e disse não ter ingerência sobre o patrimônio administrado pelos trustes que constituiu.

PROCESSO

Cunha anunciou ontem que apresentará até a próxima segunda-feira, dia 16, uma “defesa prévia” ao Conselho de Ética sobre as acusações de que teria mentido à CPI da Petrobras quando disse, em março, que não possui contas bancárias no exterior.

O relator do processo, deputado Fausto Pinato (PRB-SP), deverá apresentar parecer preliminar recomendando a continuidade ou não do processo até o dia 19 de novembro. O prazo para elaboração do relatório é de 10 dias úteis, mas ele já afirmou que poderá antecipar a posição.

Depósito em contas na Suíça

Em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), o economista Felipe Diniz negou ter indicado ao lobista João Augusto Henriques a conta do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na Suíça para que fossem realizados depósitos ao peemedebista. O lobista repassou 1,3 milhão de francos suíços (cerca de R$ 5 milhões), em 2011 a uma das contas de Cunha e disse que a indicação lhe foi feita por Felipe Diniz, filho do ex-deputado Fernando Diniz.

O presidente da Câmara afirmou que deu o número da conta para Fernando Diniz quando lhe fez um empréstimo, mas que nunca cobrou o filho após o falecimento do pai, em 2009.

À polícia, Henriques disse que não sabia quem era o destinatário do dinheiro e que fez o depósito a mando de Felipe Diniz. Mas no depoimento, Diniz afirmou que “nunca” indicou para João Henriques número de conta de Eduardo Cunha, “muito menos na Suíça”.

Cunha afirmou que não comentaria o teor do depoimento de Felipe Diniz. “Não estou preocupado com isso”, afirmou.Cunha tem afirmado não saber qual é a origem do depósito, mas supõe tratar-se do pagamento de um empréstimo que fez ao ex-deputado Fernando Diniz. Afirmou ainda que só soube do depósito um ano depois de o dinheiro aparecer na conta.

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