PSDB declara apoio ao afastamento de Cunha da presidência da Câmara

Eduardo Cunha é acusado de quebra de decoro parlamentar por ter negado possuir dinheiro fora do País

Por O Dia

Brasília - O PSDB fez uma reunião nesta quarta-feira para formalizar apoio ao afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do comando da Casa. Segundo comunicado no portal do partido, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), disse que a decisão foi tomada diante da contundência dos fatos que pesam contra o parlamentar e da inconsistência da defesa feita por ele sobre a descoberta de contas secretas na Suíça.

“A defesa é inconsistente e não pode ser pautada apenas em alegações”, apontou Sampaio, durante entrevista coletiva.

No dia 3 de novembro, o Conselho de Ética da Câmara abriu processo contra Cunha por quebra de decoro parlamentar com base em pedido apresentado pelo PSOL e pela Rede, em outubro. Segundo a denúncia, o presidente da Câmara teria mentido na CPI da Petrobras, no mês de março, ao dizer que não possuía contas no exterior. O parlamentar também foi denunciado pela Procuradoria Geral da República sob a acusação de participação no esquema de corrupção da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato, de onde, supostamente, teria saído o dinheiro depositado na conta suíça. 

Eduardo Cunha é acusado de quebra de decoro parlamentar por ter negado possuir dinheiro fora do PaísFabio Gonçalves / Agência O Dia

“As provas são bastante contundentes e os partidos de oposição têm o entendimento de que ele não possui mais legitimidade. Mas, é preciso que fique claro que as provas devem ser analisadas de acordo com o conjunto probatório. O certo é que prevalece o desejo de que isso seja investigado, queremos que a decisão seja rápida e esse é também o desejo da sociedade”, disse Nelson Marchezan (PSDB/RS), que integra o Conselho de Ética da Casa.

Líderes de 12 partidos lançam nota de ‘total confiança’ em Cunha

Horas depois do rompimento público anunciado pelo PSDB, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), articulou a redação e divulgação de nota de apoio assinada por alguns dos principais partidos governistas. O texto, que defende a necessidade de ampla defesa no esquema da Petrobras e manifesta “total apoio e confiança” em Cunha, foi redigido no gabinete da liderança do governo na Câmara.

Assinam o texto os líderes do PMDB, PR, PP, PSD, PTB, PSC, PRP, PTN, PTdoB, PHS, PEN e o oposicionista Solidariedade. Apesar de a nota ter sido redigida no gabinete da liderança do governo, o PT decidiu não assiná-la após discutir o tema com o Palácio do Planalto.

Coube ao líder do PSC, Andrés Moura (SE), ler a nota de apoio no plenário da Câmara. “Ratificamos o total apoio e confiança em sua condução na presidência da Câmara”, diz o texto. Segundo ele, as bancadas que assinaram o texto representam cerca de 230 dos 513 deputados.

“O mínimo que a gente pode fazer é isso. O PSDB está, no mínimo, antecipando o voto no Conselho de Ética. Isso no direito é grave”, disse o líder do PTB, Jovair Arantes (GO).

Cunha negou que tenha ficado irritado com a decisão do PSDB romper com ele. Cunha, que contestou o fato de tucanos serem seus aliados, defendeu o direito de cada sigla “se posicionar como quer”. Ele argumentou que o partido apoiou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) nas eleições para a Presidência da Câmara no início deste ano.

“O PSDB não me apoiou na minha eleição de presidente. Inclusive teve um candidato, o Júlio Delgado, que está investigado na Lava Jato. Cada um tem o direito de se posicionar como quer. Não me cabe criticar”, afirmou.

Com informações do iG

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