Eduardo Cunha é alvo de protestos em Brasília e São Paulo

Procuração mostra que peemedebista tinha poderes para movimentar conta na Suíça

Por O Dia

São Paulo - Investigado pela Operação Lava Jato, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi alvo ontem de pelo menos mais dois protestos: um em Brasília, pela manhã, e outro à tarde, em São Paulo. Na véspera, uma manifestação reuniu cerca de seis mil pessoas no Centro do Rio.

Manifestação contra Cunha em Brasília lotou a Esplanada dos Ministérios Agência Brasil

Em Brasília, cerca de quatro mil pessoas participaram de passeata na Esplanada dos Ministérios. Em São Paulo, cerca de duas mil pessoas participaram da mobilização nacional contra Cunha organizado por grupos feministas e movimentos de esquerda. Eles são contra o projeto de Lei 5069/13 de autoria do deputado que dificulta o aborto legal em caso de estupro.

Alvo de protesto por todo o país, a tese de defesa de Cunha de que não controlava as contas na Suíça começa a desmoronar. Entre os documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça para o Supremo Tribunal Federal (STF) está uma procuração mostrando que Cunha tinha amplos poderes para, com os recursos depositados em conta no banco Merrill Lynch, fazer aplicações financeiras em fundos e no mercado futuro, e ainda fazer investimentos de curto prazo, comprar e vender títulos, moedas e até metais preciosos. Só não podia sacar o dinheiro da conta. À CPI da Petrobras, Cunha disse que não tinha contas no exterior.

Com o apoio de aliados, Cunha prepara uma manobra para tentar retardar o processo de cassação do seu mandato, adiando o desfecho para depois de abril de 2016. A intenção dos aliados é conseguir adiar o caso por três anos, até o fim da atual legislatura, inviabilizando qualquer tipo de punição ao presidente da Câmara.