Outras duas barragens, Santarém e Germano, da Samarco, podem se romper

Obras emergenciais estão sendo feitas nas duas barragens, após o rompimento do reservatório de Fundão

Por O Dia

Minas Gerais - A maior tragédia da história mundial da mineração pode ser ampliada pelo rompimento de mais duas barragens em Minas Gerais. Representantes da mineradora Samarco, responsável pela barragem de rejeitos que se rompeu em Mariana no dia 5, informaram onesta terça-feira que as barragens de Santarém e Germano, que ficam próximas à primeira, na região central de Minas Gerais, têm problemas e também podem estourar.

Em entrevista, o diretor de operações e infraestrutura da Samarco, Kléber Terra, disse que o fator de segurança na barragem de Santarém é de 1,37 numa escala de 0 a 2. Na de Germano, ele informou que o dique Celinha, uma das estruturas, tem índice de 1,22, o menor em todo o complexo.

“Tem o risco e, para aumentar o fator de segurança e reduzirmos o risco, nós estamos fazendo as ações emergenciais necessárias”, afirmou o gerente-geral de projetos estruturais da Samarco, Germano Lopes.

Segundo o diretor Terra, a mineradora já começou a fazer obras emergenciais nas duas barragens. Ele explicou que blocos de rocha estão sendo colocados de cima para baixo, para reforçar a estrutura. Este procedimento deve durar cerca de 45 dias na barragem de Germano. Na de Santarém, as obras têm um prazo de 90 dias. A Samarco informou ainda que o maciço da barragem de Santarém, que é o corpo principal, está preservado. Mas há danos na crista, que é o ponto mais alto da barragem, e em parte da estrutura do vertedouro, estrutura que permite a saída de água.

Barragem Germano é monitorada após rompimento do reservatório de FundãoReprodução TV

“A barragem de Santarém está com volume de 5,5 a 6 milhões de m³ retidos nela de sedimentos. A barragem de Fundão, para a gente comparar, ela estava com 55 milhões de m³. A gente está falando de uma escala 10 vezes menor”, disse Terra.  A barragem do Fundão se rompeu no último dia 5, causando uma onde de lama por pelo menos nove cidades mineiras. De acordo com Terra, dos 55 milhões de m³ de rejeitos de Fundão, cerca de 40 milhões desceram no rompimento, a outra parte ficou retida no vale.

Dois dias depois do rompimento da barragem Fundão, a Samarco informou que a barragem de Germano, que seria a maior das três, está exaurida, mas não divulgou o volume atual e a capacidade da estrutura.
A barragem de rejeitos da Samarco, que tem como acionistas a Vale e a BHP, deixou o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, completamente destruído. A lama atingiu outros municípios do mineiros e o Rio Doce, o que causou morte de animais e prejudicou o abastecimento de água. Ainda são 12 desaparecidos, e sete mortos já foram identificados como vítimas da tragédia.

Samarco dará ajuda de um salário mínimo aos desabrigados

A mineradora Samarco anunciou que dará ajuda temporária para as cerca de 250 famílias de subdistritos de Mariana, que tiveram as casas atingidas pela lama com o rompimento da barragem do Fundão, no último dia 5. As famílias vão receber da mineradora um salário mínimo e 20% do valor por dependente, além de cesta básica. O valor não tem relação com indenizações que ainda serão pagas.
Na segunda-feira, a Samarco fechou acordo no valor de R$ 1 bilhão com os ministérios Público Federal e de Minas Gerais como reparação de danos ambientais causados pelo rompimento.

Duas semanas depois do rompimento da barragem do Fundão%2C em Minas%2C a lama de rejeitos no Rio Doce atinge municípios do Espírito SantoFOTOS/SECOM/GOVERNO DO ESPÍRITO SANTO

Segundo o promotor Guilherme de Sá Meneghin, os valores da ajuda de custo foram definidos pela Samarco, mas, assim que começarem a ser pagos, técnicos da promotoria vão avaliar com as vítimas se o recurso é adequado para o padrão de vida das famílias antes da tragédia. A presidenta Dilma Rousseff também defendeu que a mineradora pague uma “bolsa” para comunidades ribeirinhas ao longo de mais de 500 quilômetros do Rio Doce. Nesse caso, o pagamento da “bolsa” seria para indenizar as perdas de comunidades ribeirinhas do mais importante rio da região.

Com a chegada do mar de lama ao Espírito Santo, reservatórios de 10 mil litros de água começam a ser colocados nos bairros de Colatina para abastecimento por carros-pipa. Os homens do Exército vão auxiliar na distribuição de água.


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