Por rafael.souza
Publicado 27/11/2015 10:37 | Atualizado 27/11/2015 12:18

Rio - Foi preso na manhã desta sexta-feira, Edson Ribeiro, advogado de defesa do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, no Aeroporto Tom Jobim, na Ilha do Governador, após chegar de Miami, nos Estados Unidos. De acordo com a Polícia Fedarel, o advogado desembarcou no Rio em um voo que chegou às 8h10. Ele foi detido por agentes da PF e encaminhado para a Superintendência Regional da Polícia Federal, no Centro do Rio.

LEIA MAIS: Senador Delcídio do Amaral é preso pela Polícia Federal

Delcídio do Amaral ofereceu R$ 50 mil mensais a Cerveró e fuga para Espanha

STF autoriza inclusão do nome de advogado de Cerveró na lista da Interpol

Banqueiro André Esteves deve continuar preso no Rio

Advogado Edson Ribeiro teve prisão decretada nessa quarta-feira Reprodução Internet

Nesta quinta-feira o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a inclusão do nome do advogado Edson Ribeiro, na difusão vermelha da Interpol. A decisão foi tomada ainda na quinta e cumprida na manhã desta sexta-feira para autoridades policiais, após Edson voltar ao Brasil.

Ribeiro chegou a ser encontrado nos Estados Unidos na quarta, mas não foi preso pois era necessário aguardar a decisão do STF sobre a inclusão de seu nome na lista da Interpol, polícia internacional, o que aconteceu na quinta.

O governo americano chegou a cancelar o visto concedido a Ribeiro - medida padrão adotada pelo governo norte-americano em casos de brasileiros contra os quais há mandado de prisão expedido pela Justiça brasileira. No entanto, Ribeiro adquiriu uma passagem de Miami para o Rio, após um acordo feito entre a agência de imigração do governo americano e a PF brasileira, que permitiu que ele embarcasse.

Além do advogado de Cerveró, a Operação Lava Jato prendeu o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), o banqueiro André Esteves e um funcionário do Senado, ambos na última quarta. Todos são acusados de atrapalhar as investigações sobre o esquema de corrupção da Petrobras.

Delcídio teve sua prisão mantida pelo Senado, na noite de quarta, por 59 votos a 13 . A maior parte dos senadores que votou contra a permanência de Delcídio na cadeia tem envolvimento com a Lava Jato e teme, agora, o chamado efeito dominó, que poderá levar a prisão de outros envolvidos no esquema de corrupção.

Segundo o Ministério Público Federal, junto com o banqueiro André Esteves, o senador ofereceu pagamento de R$ 4 milhões ao advogado Edson Ribeiro, contratado pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para que o investigado não firmasse acordo de delação premiada na Lava Jato.

A proposta seria Cerveró assinar o acordo, mas não mencionar nem Delcídio ou o banqueiro nos depoimentos. A dupla também teria pago R$ 50 mil a Bernardo Cerveró, filho do ex-executivo da estatal, em troca do silêncio do depoente. O restante da família receberia a mesma quantia mensal como recompensa.

"O Senador Delcídio Amaral contou com o auxílio do advogado Edson Ribeiro, que, embora constituído por Nestor Cerveró, acabou por ser cooptado pelo congressista. O advogado Edson Ribeiro passou, efetivamente, a proteger os interesses do Senador Delcídio Amaral em sua interação profissional com Nestor Cerveró e Bernardo Cerveró, mesmo depois de tomada por Nestor Cerveró a decisão de oferecer colaboração premiada ao Ministério Público Federal. O advogado Edson Ribeiro recebeu do Senador Delcídio Amaral, a certa altura das tratativas, a promessa de pagamento dos honorários que convencionara com Nestor Cerveró, cujo valor era de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais)", diz o documento da Procuradoria Geral da República (PGR).

Segundo a PGR, o banqueiro André Esteves, dono do Banco BTG Factual, arcaria com os custos para não ter seu nome mencionado no acordo de colaboração ou para o ex-diretor desistir. "Ao menos parte desses recursos seria dissimulada na forma de honorários advocatícios a serem convencionados em contrato de prestação de serviços de advocacia entre André Esteves e/ou pessoa jurídica por ele controlada com o advogado Edson Ribeiro." Esteves está preso na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. 

Nestor Cerveró firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério público Federal no dia 18 de novembro deste ano.

Você pode gostar