Por bferreira

Brasília - Depois de admitir ter pago propina em diversas obras, entre elas a usina nuclear de Angra 3 e estádios da Copa do Mundo, a empreiteira Andrade Gutierrez fechou acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR) e vai pagar multa de cerca de R$ 1 bilhão. É a maior multa paga até agora na Operação Lava Jato.

A empreiteira acertou um acordo de delação e leniência com a PGR e com força-tarefa da Lava Jato, no qual irá relatar que pagou propina em obras da Copa do Mundo, Petrobras, na usina nuclear Angra 3, na usina de Belo Monte e na ferrovia Norte-Sul, um projeto cuja história de corrupção começa em 1987, com o acerto das empresas que ganhariam a licitação. O acordo foi revelado pela ‘Folha de S.Paulo’.

A Andrade foi acusada junto à Odebrecht de ter pago R$ 632 milhões de suborno em contratos com a Petrobras. A Odebrecht é a maior empreiteira do país, e a Andrade, a segunda. O suborno era pago para que agentes públicos não colocassem obstáculos nos acertos feitos pelas empreiteiras.

Na Copa do Mundo, a Andrade Gutierrez fez diversas obras, tanto sozinha quanto em consórcio, financiadas com recursos públicos. Alguns exemplos são a reforma do estádio Mané Garrincha, em Brasília, a construção da Arena Amazonas, em Manaus (AM) e a reforma do estádio do Maracanã, no Rio, onde dividiu a obra com a Odebrecht, também acusada na Lava Jato.

O acordo da Andrade com a PGR envolve não apenas os executivos da empresa que estão presos em Curitiba, mas os 11 funcionários da empresa que foram indiciados pela Polícia Federal, acusados de cometer crimes de corrupção relacionados a contratos com a Petrobras.

Se confirmado o acordo, eles terão redução de penas em caso de condenação nos processos da Lava Jato. A expectativa dos advogados da empreiteira é de que eles sejam libertados, com uso de tornozeleira eletrônica, em até duas semanas, caso confirmada a homologação.

Além dos executivos da Andrade, o acordo trará benefícios para a empreiteira, que luta para se livrar da proibição de celebrar contratos com o poder público — essa é uma das consequências de quando o governo declara a empresa inidônea. A Andrade Gutierrez é altamente dependente do poder público: quase a metade de sua receita vem de obras contratadas pelo governo.

À tarde, a Andrade Gutierrez informou, por meio de sua assessoria, que não comentaria o assunto.

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