Conselho de Ética decide futuro de Eduardo Cunha

Peemedebista ameaça deflagrar impeachment de Dilma, se for aberto processo de cassação contra ele

Por O Dia

Brasília - O Conselho de Ética da Câmara decide nesta terça se aceita ou não abrir processo de cassação contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Investigado pela Operação Lava Jato, o peemedebista é acusado de lavagem de dinheiro, corrupção e suspeito de esconder contas na Suíça.

‘Dia D’ para Cunha no Conselho Fabio Gonçalves / Agência O Dia

O presidente da Câmara almoçou com o vice-presidente Michel Temer e insinuou que pode deflagrar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, caso o PT vote por sua cassação no Conselho de Ética. Caso contrário, ele pretende segurar a abertura de um processo de impedimento da presidenta.

Desde a semana passada, o Palácio do Planalto trabalha para que os três deputados do PT no Conselho votem a favor de Cunha. Mas os petistas resistem. Cunha precisa de 11 do total de 21 votos para se livrar de um processo de cassação. Nos cálculos de seus aliados, há um grupo de cerca de 11 deputados, informalmente chamado de ‘centrão’, que tende a votar para salvar o presidente da Câmara. São os deputados do PMDB, Solidariedade, PSC, PR, PP, PTB e PSD. Os representantes destes dois últimos, no entanto, são considerados mais suscetíveis a pressões. O PMDB está na linha de frente da operação de blindagem.

Na conversa de quase duas horas no Palácio do Jaburu, residência oficial de Temer, Cunha confidenciou ao vice-presidente que a nova denúncia contra ele — de que o BTG Pactual pagou R$ 45 milhões para que o banco de André Esteves tivesse seus interesses atendidos em uma medida provisória —foi uma armação orquestrada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

‘Fiquei perplexa’, diz Dilma

A presidenta Dilma Rousseff disse ontem que ficou “perplexa, extremamente perplexa” com a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) , na semana passada. Em Paris, onde participa da Conferência sobre o Clima, a COP 21, Dilma afirmou que não teme uma eventual delação premiada do ex-líder do governo no Senado. Delcídio foi preso sob suspeita de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato.

“Fiquei perplexa, extremamente perplexa. Eu não esperava que isso acontecesse, ninguém esperava”, disse a presidenta. “Não tenho nenhum temor em relação a uma delação do senador Delcídio”, garantiu. “O senador era de fato uma pessoa bastante bem relacionada no Senado. Nós o escolhemos porque tinha relações com todos os partidos, inclusive com os da oposição.”

Dilma também negou ter indicado Nestor Cerveró, preso na Lava Jato, para o cargo de diretor da área Internacional da Petrobras. Em depoimento à Polícia Federal, Delcídio disse que a escolha de Cerveró, em 2003 passou pela presidenta, quando ela era ministra de Minas e Energia do governo Lula.

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