Por clarissa.sardenberg
Publicado 30/11/2015 11:46 | Atualizado 30/11/2015 12:04

Rio - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, usou sua conta no Twitter na noite deste domingo para um 'desabafo' sobre a acusação de ter recebido R$ 45 milhões do BTG Pactual para que um interesse do banco de André Esteves fosse atendido em uma emenda provisória. Cunha disse estar "revoltado" com a divulgação "absurda". "Desminto o fato e coloco sob suspeição essa anotação. É incrível transformar uma anotação em acusação contra mim", escreveu o deputado.

Segundo Cunha, a citação de seu nome é uma "armação". "É um verdadeiro absurdo e parece até armação aparecer uma anotação com uma pessoa que não conheço citando coisas inexistentes", afirmou. 

Saiba mais: Anotação diz que BTG pagou R$ 45 milhões a Cunha para mudar emenda

Eduardo Cunha durante entrevista, na Câmara, em que recebeu uma 'chuva de dólares' Agência PT

O documento apreendido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) foi encontrado pela Polícia Federal na casa do chefe de gabinete do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), Diogo Ferreira, preso com ele na última quarta-feira no escopo da Operação Lava Jato. "Nada mais do que uma anotação encontrada com um assessor de Delcídio que nem sei se é verdadeira. Devem perguntar a esse assessor", escreveu Eduardo Cunha.

"Tinha duas emendas a essa MP que foram rejeitadas. Uma para acabar com exame da OAB. A outra era exatamente o contrário do que estão acusando. Tirar a possibilidade do tal benefício que me acusam de aprovar. Ou seja, uma anotação que não se é verídica me acusa de aprovar emenda ao contrário da emenda que apresentei e que foi rejeitada. Ou seja, propus o contrário do que essa suposta acusação acusa", afirmou o presidente da Câmara.

A tal anotação faz parte de um conjunto de papéis que, na avaliação dos investigadores, constituía um roteiro de ação de Delcídio junto a ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo para tentar soltar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, também preso pela Lava Jato. No verso, há um escrito com a referência ao BTG. A PGR não deixa claro se é uma anotação manuscrita.

O texto foi citado como justificativa para manter a prisão do banqueiro André Esteves e do assessor parlamentar Diogo Ferreir. O pedido da PGR foi aceito pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo, neste domingo.

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