Cunha rebate Dilma e afirma que presidente mentiu quando diz que não barganhou

Aos jornalistas Dilma falou que não aceitaria fazer barganhas com o deputado

Por O Dia

Brasília – Horas depois da presidente Dilma Rousseff partir para o ataque contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ), após ele aceitar o pedido de abertura do processo de impeachment, o chefe da Câmara concedeu entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira e afirmou que Dilma faltou com a verdade em seu pronunciamento, ao dizer que não faz barganha política.

Segundo Cunha, o deputado André Moura (PSC-SE) participou de reunião com Dilma na quarta-feira de manhã em que o governo quis vincular apoio de deputados do PT a ele em processo no Conselho de Ética da Câmara à aprovação da CPMF no Congresso. “A presidente [Dilma] mentiu”. Ela mentiu quando disse que não autorizava qualquer barganha. Ela simplesmente estava participando de uma negociação lá. A presidente queria que tivesse o comprometimento para aprovar a CPMF", afirmou.


"Eu quero deixar bem claro que a presidente mentiu à nação quando disse que o seu governo não autorizou qualquer barganha"%2C disse CunhaReprodução

O presidente da Câmara acatou na quarta-feira pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma elaborado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, com apoio da oposição. Ele afirmou que a acusação explica claramente as razões do pedido de impeachment. "Apenas me ative aos fatos", disse, citando os decretos que afrontaram a lei orçamentária de 2015. Cunha reiterou que cumpriu um "papel constitucional" ao acolher a denúncia de cassação.

De acordo com o peemedebista, ele se recusou a atender o ministro Jaques Vagner para tentar demovê-lo de autorizar a abertura do processo de impeachment.

Cunha falou que tem "atrito constante" com o PT, cujo "conjunto" é seu adversário. "Eu prefiro não ter os votos do PT no Conselho (de Ética)", disse. Ele reinterou que não tem a intenção de fazer um "embate pessoal" e falou que não vai emitir sua opinião pessoal sobre o processo. Eduardo enfatizou que a formação da base do governo é feita através de barganhas. No entanto, negou que tenha feito algum tipo de acordo o governo. Ele afirmou ainda que uma possível convocação extraordinária do Congresso, pedida pela oposição, tem que passar pela concordância do presidente do Senado, Renan Calheiros. Eduardo afirmou que sua decisão [de aceitar o pedido de abertura de processo de impeachment de Rousseff] já estava tomada antes dessa quarta-feira.

Cunha convocará ainda nesta quinta, uma reunião extraordinária para dia 7, às 18h, para eleição da comissão especial que vai analisar a denúncia contra Dilma e receber a defesa da presidente. Essa comissão, que ainda não foi formada, terá 66 deputados titulares e mesmo número de suplentes, todos indicados pelos líderes partidários.

Conselho de Ética

No Conselho de Ética, Eduardo Cunha é investigado pela suspeita de receber propina em esquema investigado pela Operação Lava Jato e por manter contas secretas na Suíça, segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Cunha também é acusado de mentir ao negar a existência das contas durante um depoimento na CPI da Petrobras.

O colegiado já tentou, quatro vezes, apreciar e votar o parecer do deputado Fausto Pinato (PRB-SP), que pede a continuidade do processo contra o presidente da Casa. O processo ainda está em fase de debates porque aliados de Cunha tem recorrido a brechas regimentais para postergar uma decisão e a conclusão do processo para 2016.

Oposição deve salvar presidente da Câmara

Com a deflagração do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deverá ser salvo da cassação no Conselho de Ética. Ele é alvo de processo na casa.

A avaliação é que, agora, o DEM e o PTB vão apoiar o arquivamento do processo. E para atrair os votos dos deputados federais do PSDB, o peemedebista fez questão de acolher o pedido apoiado pelo partido dos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr e Janaína Paschoal.

Em troca, Cunha aposta que o líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), vai convencer os dois deputados tucanos no Conselho a mudar de posição e a votar pelo engavetamento do pedido de cassação.

Os petistas classificaram a atitude de Cunha como “revanchismo” e “golpe”. No Twitter, o presidente da sigla, Rui Falcão, afirmou: “Golpistas não passarão. Não vai ter golpe. Dilma fica”.

Com informações das Agências Brasil e Reuters

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