Dilma: ‘Espero integral confiança do vice’

Presidenta faz fé no apoio de Temer e diz que ainda conta com Padilha na equipe

Por O Dia

Rio - Em meio às especulações da debandada do PMDB do governo e a guerra que se transformou o impeachment, a presidenta Dilma Rousseff afirmou ontem que espera “integral confiança” do seu vice, Michel Temer. As afirmações foram feitas no Recife, durante lançamento de plano nacional de combate ao mosquito Aedes aegypti. “Eu espero integral confiança do Michel Temer. E tenho certeza que ele dará”, disse.

Dilma afirmou ainda que não foi notificada da saída do ministro Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), e conta com ele na equipe. Ela fez elogios ao peemedebista. “No caso do ministro Padilha, eu me esforcei bastante para mantê-lo na reforma ministerial. Por quê? Por que acho que o ministro Padilha, na direção do Ministério dos aeroportos (Aviação Civil), está fazendo um trabalho importante. Eu não recebi nenhuma comunicação oficial dele e ainda conto com sua participação no governo”, ponderou a presidenta.

Presidenta Dilma recebeu apoio de pernambucanas%2C ao lançar plano nacional de combate ao Aedes aegyptiDivulgação

Padilha tentou entregar sua carta de demissão à presidenta, na última sexta-feira, mas não chegou a ser recebido nem pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. Irritado, protocolou o pedido no Palácio do Planalto.

A chefe do Executivo também comentou o anúncio do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, sobre a ocorrência de novas pedaladas fiscais no ano de 2015, no valor de R$ 2,5 bilhões. “Primeiro que nós discordamos das primeiras. Achamos estranhíssimo que possa haver pedaladas fiscais se o ano de 2015 nem terminou. Então, é complexa essa questão da nossa relação com as opiniões do ministro Nardes. Não com o TCU, mas com o ministro Nardes nós temos algumas divergências de opinião”, salientou.

Principal beneficiário de um eventual afastamento da presidenta, Temer é o presidente nacional do PMDB há 14 anos e, pela primeira vez em mais de duas décadas, vislumbra a chance de oferecer à legenda, conhecida por sua sede por espaços, um poder que ela não tem desde que o ex-presidente e hoje senador José Sarney (PMDB-AP) deixou o Planalto, em 1990.

Governistas avaliam que, diante desse cenário, Temer foi picado pela ‘mosca azul’, e tomou um caminho sem volta para tentar assumir o lugar de Dilma. Movimento este, segundo aliados, deflagrado com o pedido de demissão de Padilha, que seria o primeiro aliado de Temer a deixar o governo depois da abertura do processo de impeachment. Apesar do seu discurso, Dilma não deve esperar de Temer nenhum engajamento na defesa do seu mandato presidencial.

Processo começa esta semana com criação de comissão especial

Os prazos do impeachment na Câmara não são longos. Uma vez lido e publicado o despacho de acolhimento da denúncia, cria-se a Comissão Especial, o que irá ocorrer amanhã. Os prazos mais importantes são: dez sessões para a presidenta oferecer a defesa, contadas a partir da notificação, e mais cinco sessões para a Comissão Especial proferir o parecer.

Após as 48 horas da publicação do parecer, ele é incluído na ordem do dia de plenário para discussão e votação. São necessários os votos favoráveis de 342 dos 513 deputados para aprovar o parecer. Ou seja, o governo precisa de 141 votos para derrubá-lo.

Gráfico mostra o caminho do processo de impeachment. Clique sobre a imagem para a completa visualizaçãoArte O Dia

Se aprovado, o pedido vai para o Senado no prazo de duas sessões. Cabe ao Senado efetivamente julgar a presidenta. Na Casa presidida por Renan Calheiros (PMDB-AL), cuja cadeira será ocupada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, o prazo é de 180 dias. Se a Casa não votar nesse período, Dilma volta ao cargo automaticamente.

Se o processo chegar às mãos dos senadores, é porque terá sido autorizado por dois terços da Câmara. A presidenta então é afastada do cargo e já chega às barras do Senado politicamente liquidada. Aí o relógio passa a ser político e não mais regimental. Então corre rápido.

Teoria da conspiração no Planalto

A movimentação de Temer rumo ao Planalto ficou mais evidente há pouco mais de um mês, quando o PMDB apresentou uma agenda para o país sair da crise econômica. Intitulado “Uma ponte para o futuro” , o documento fez duras críticas à atual política econômica e alinhou pontos que o PMDB julga necessários, como a indexação do salário mínimo e a reforma da Previdência. A proposta foi idealizada por outro fiel aliado de Temer: o ex-ministro Moreira Franco.

Esta semana, os sinais de que Temer se prepara para assumir a Presidência ficaram mais claros. Horas antes do anúncio da abertura do impeachment, ele recebeu cinco senadores de oposição. Em pauta: o afastamento de Dilma. No dia seguinte, Dilma não convidou Temer para participar do gesto em sua defesa. Desde então, Temer não apareceu em público para defender a presidenta.

Últimas de _legado_Brasil