Executiva nacional do PMDB aborta manobra de Leonardo Picciani

Ex-líder na Câmara incentivou filiações para tentar voltar ao cargo

Por O Dia

Rio - De nada adiantou o secretário de Governo do Rio, Pedro Paulo Carvalho, ter deixado o cargo para assumir sua cadeira na Câmara dos Deputados e, com isso, engrossar a parcela da bancada do PMDB favorável ao ex-líder Leonardo Picciani (RJ) e pró-Dilma Rousseff. A estratégia montada por Leonardo para retornar à liderança foi por água abaixo depois que a Executiva Nacional do PMDB decidiu que todas as novas filiações de deputados têm de passar pelo comando do partido.

Com a ajuda de seu pai, o presidente da Alerj e do PMDB do Rio, Jorge Picciani, Leonardo vinha promovendo filiações no PMDB de deputados aliados. Um dos cooptados era Altineu Cortes (RJ), que estava de malas prontas para deixar o PR e ingressar no PMDB, e com seu voto ajudar no retorno de Leonardo à liderança. Mas agora, com a resolução tomada pela Executiva peemedebista, dificilmente Leonardo terá votos suficientes para reassumir o cargo.

Além de enterrar momentaneamente os planos de Leonardo Picciani, a decisão da Executiva abalou ainda mais as relações entre o vice-presidente Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL). Calheiros classificou como um “horror” e “retrocesso democrático” a resolução da Executiva Nacional do PMDB. Ele criticou abertamente Temer, a quem culpou por aumentar a divisão na bancada do partido.

“O PMDB é um grande partido, porque não tem dono, é democrático. É um partido muito forte por isso”, afirmou. “Como é que pode a Executiva querer dizer agora quem é que vai poder entrar e quem não vai poder entrar? Ou seja, o PMDB a partir dessa decisão passará a ter dono? Isso é um horror”, disse Renan.

Temer reagiu e, em nota, afirmou que o PMDB não tem dono, mas também não tem “coronéis”. “É correta a afirmação de que o PMDB não tem donos. Nem coronéis”, sublinha a nota. O texto diz que a estratégia de filiar deputados federais ligados a outras legendas visava agregar à bancada do PMDB parlamentares “transitórios” com a intenção de “fragilizar”. A nota afirma ainda que o partido tomou suas decisões baseadas no voto e ressalta o placar de 15 a 2 pelo filtro nas novas filiações.

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