Por bferreira
Brasília - Na primeira entrevista de 2016, a presidente Dilma Rousseff disse ontem ter certeza de que as investigações que estão em curso no país, como a Operação Lava Jato, tiveram como foco sua vida pessoal e política, que foram “viradas ao avesso”.
“Tenho clareza que devo ter sido virada ao avesso e tenho clareza também, até porque entendo de mim mesma, que podem continuar me virando do avesso. Sobre minha conduta não paira nenhum embaçamento, nenhuma questão pouco clara”, afirmou a presidente.
Publicidade
Na entrevista, durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, Dilma criticou o que chamou de “vazamento e espetacularização” das denúncias que atingem integrantes do governo, como os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, e da Comunicação Social, Edinho Silva, além de diversos nomes do PT e de partidos de sua base aliada. Em sua opinião, não pode haver “dois pesos e duas medidas para ninguém no Brasil”.
“Tenho muito medo da espetacularização e vazamentos porque os vazamentos não se dão num quadro de responsabilidade de apuração. Quando se derem nesse quadro, é importante ser difundido para a população. Mas não é possível ter dois pesos e duas medidas para ninguém no Brasil”, afirmou.
Publicidade
PAUTA BOMBA
Para a presidente, é preciso melhorar a situação da crise política no país que, segundo ela, agrava a crise econômica, e sair do cenário de “quanto pior, melhor”, apostando, inclusive, no diálogo com a oposição.
“Nunca me recusei ao diálogo, mas, muitas vezes, foi feito de forma discreta (com a oposição)”, disse. “Não é possível achar que repetiremos 2015. Esgotou o modelo do quanto pior, melhor”, completou.
Publicidade
Dilma disse ainda acreditar que, em 2016, não haverá mais o apoio às chamadas “pautas-bombas” como houve no ano passado, que aumentavam despesas do governo.
Em resposta às declarações de Dilma, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que o cenário político delicado para o governo deve-se à “falta de base sólida” no Congresso.Segundo ele, o governo “continua sem maioria, apesar da farta distribuição de cargos”.
Publicidade
Presidente viaja para conhecer seu segundo neto
Depois do café da manhã com a imprensa, a presidente Dilma Rousseff embarcou ainda pela manhã para Porto Alegre para conhecer o seu segundo neto, Guilherme, filho de sua única filha, Paula Rousseff. O menino nasceu ontem com 51 centímetros e 3,940 quilos.
Em seu perfil no Faceboock Dilma escreveu%3A "Apresento a vocês meu neto Guilherme. Assim como o Gabriel%2C vai alegrar a minha vida"Presidência da República

“Devo ser a única pessoa no mundo a achar recém-nascido bonito”, brincou a presidente, durante o café com os jornalistas. O primeiro neto de Dilma, Gabriel, nasceu durante a campanha presidencial de 2010. A então candidata tinha comício programado para aquele dia em Ribeirão Preto (SP), mas suspendeu sua agenda por dois dias para ficar com a filha e o recém-nascido.

Publicidade
Para evitar o ciúme de Gabriel, Dilma confidenciou aos jornalistas: “Tem um segredo: Gabriel vai levar um presente para o Guilherme”.
Tucano levou propina, revela delator
Publicidade
Delator da Lava Jato, Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, afirmou que tomou conhecimento sobre o pagamento de propina “ao líder do PSDB”, que supõe ser o ex-presidente da legenda e ex-senador Sérgio Guerra (PE), para prejudicar as investigações da CPI da Petrobras instalada em 2009.
Antes de Ceará, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa também já haviam feito relatos sobre o pagamento de propina a Guerra em suas delações premiadas na Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na estatal de petróleo.
Publicidade
Em depoimento específico sobre a CPI da Petrobras, Ceará disse que “sabe que foi feito o pagamento de R$ 10 milhões ao líder do PSDB no caso, mas não sabe como isso foi feito”.