Por bferreira

Brasília - Em novos trechos da delação premiada na investigação da Lava Jato divulgados ontem, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró cita os nomes dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor, senador (PTB-AL), e do presidente do Senado, Renam Calheiros (PMDB-AL) como supostos beneficiários do esquema de propinas.

De acordo com depoimento vazado de Cerveró, Lula, Collor (foto) e Renan foram beneficiários de esquema de propinas na PetrobrasAgência Senado

Cerveró afirmou que sua indicação para a Diretoria Financeira e de Serviços da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, em 2008, foi feita pelo Lula em “reconhecimento da ajuda” na contratação da Schahin para operar o navio-sonda Vitória 10.000. O ex-executivo da estatal disse que a indicação aconteceu em troca da “quitação de um empréstimo do PT, perante o banco Schahin, garantido por José Carlos Bumlai”. As informações foram publicadas pelos jornais 'Valor Econômico' e 'Folha de S. Paulo'.

No depoimento, Cerveró afirmou também ter ouvido do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), durante reunião na “Casa da Dinda” em 2013, que a presidente Dilma Rousseff teria lhe colocado à disposição a presidência e todas as diretorias da BR Distribuidora.

O ex-diretor disse que, naquela ocasião, agradeceu “ironicamente” ao senador por ter mantido seu cargo na BR. Contou ainda que depois Pedro Paulo Leoni Ramos, ex-ministro de Collor, afirmou que o senador ficou “chateado” com a ironia.

Cerveró afirmou aos investigadores que entendeu ter sido mantido no cargo para não atrapalhar os negócios de Collor e Pedro Paulo, “principalmente a base de distribuição de combustíveis de Rondonópolis (MT) e o armazém de produtos químicos de Macaé (RJ)”.

Cerveró contou que participou de reuniões com outros políticos para tratar de propinas desviadas da Petrobras e citou o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que está preso, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, como supostos beneficiários do esquema.

Reunião é comprovada

Considerado operador de propinas, Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, entregou à Polícia Federal cópia dos registros de entrada e saída do hotel em que se hospedou em Brasília, em junho de 2010, ocasião que teria participado de reunião entre o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

No encontro, segundo reportagem da ‘Folha de S. Paulo’, Baiano afirma que foi acertado o pagamento de R$ 2 milhões para a campanha da presidente Dilma Rousseff.

O documento foi anexado na quinta-feira (7) pela defesa de Fernando Baiano, junto com o comprovante das passagens de ida e volta para Brasília, em novembro de 2010.

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