Dilma Rousseff chama de golpista quem quer impeachment

Ela argumentou que não se pode ‘tirar um presidente por não gostar dele’

Por O Dia

Brasília - Alvo de processo de impeachment na Câmara dos Deputados, a presidente Dilma Rousseff chamou ontem de “golpistas” setores da oposição que tentam afastá-la de seu mandato. Em entrevista, no Palácio do Planalto, ela argumentou ainda que não se tira o chefe do Executivo do cargo por “não gostar” ou “não simpatizar” com ele.

Dilma observou que a democracia no Brasil é “ainda jovem” e, por isso, a decisão de encerrar o mandato do presidente tem uma “repercussão política de longo prazo” na estabilidade do país.

“Não se pode no Brasil achar que você tira um presidente porque não está simpatizando com ele. Isso não é nem um pouco democrático, achar que você tira um presidente porque, do ponto de vista político, você também não gosta dele. É algo que se faz no parlamentarismo”, afirmou a presidente. “Isso não significa que eu esteja dizendo que as tentativas, que acredito que são golpistas de alguns segmentos da oposição, de repetirem sistematicamente essa questão do impeachment, não sejam importantes”, emendou.

Na semana passada, a presidente disse ter certeza de que foi “virada do avesso” pelas investigações em curso no país, como a Operação Lava Jato. Ontem, ela afirmou que “não há nenhuma novidade” nos vazamentos de informações que citam seu nome na operação e que vai prestar todas as informações necessárias quando solicitadas.

“Eu, especialmente, responderei a qualquer coisa em quaisquer circunstância. As últimas que saíram [NA são repetições. Querem a informação? Eu dou até o calhamaço feito e todas as atas do Conselho da Petrobras”, disse.

Dilma se tornou alvo de um processo de impeachment em dezembro, quando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autorizou a abertura do procedimento de afastamento com base no pedido dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.

Esta semana, o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, usou sua página pessoal no microblog Twitter e no Facebook para acusar a oposição de querer “ganhar no tapetão” ao tentar aprovar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Disse ainda que a “impopularidade” da presidente “não é crime”.

Wagner ressaltou que o governo tem “plena consciência” de erros que foram cometidos nos anos anteriores e das dificuldades que precisa vencer na economia.

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