Por clarissa.sardenberg

Goiás - A partir deste ano, Goiás começará a terceirizar a administração de escolas estaduais que passarão a ser geridas por organizações sociais (OS). O modelo já é aplicado no sistema de saúde do estado. A implementação em escolas é, segundo o próprio governo, inédita no Brasil. A questão, no entanto, gera polêmica. Professores e alunos são contra o modelo de gestão e pedem mais diálogo. Já o governo acredita que o setor privado poderá trazer mais eficiência ao sistema de ensino. No estado, 27 escolas estão ocupadas por estudantes em protesto contra as OSs.

Alunos ocupam o Colégio Estadual Layser O'Dwer em Anápolis%2C Goiás Agência Brasil

Ao todo, 16.016 alunos e 291 salas serão administradas por OS ainda neste ano. Neste ano, 200 escolas deverão fazer parte da iniciativa. Na prática, os repasses públicos passam a ser feitos às entidades, que serão responsáveis pela manutenção das escolas e por garantir melhor desempenho dos estudantes nas avaliações feitas pelo estado. Elas podem inclusive contratar professores e funcionários.

“Não houve diálogo algum. Estamos lutando por melhorias na educação. Estamos cansados de receber migalhas enquanto o dinheiro fica no bolso dos grandes”, diz Guilherme, de 16 anos. Os estudantes pedem que o edital de chamamento das OS, publicado no final do ano passado, seja revogado e que o governo discuta o modelo com a comunidade escolar. “Em São Paulo, as ocupações deram certo, o que temos a perder? Eles acreditaram. Vamos fazer isso porque acreditamos que vai dar certo”, acrescenta.

As escolas do projeto-piloto ficam nos municípios de Anápolis, Abadiânia, Alexânia, Nerópolis e Pirenópolis. É função das novas entidades administradoras das escolas proporcionar instalações físicas adequadas e cuidar da manutenção delas.

Falta de comunicação 

Poucos, até mesmo dentro das ocupações, sabiam explicar o modelo. A professora Ana Cláudia Siqueira descobriu, no ato da matrícula da filha no Colégio Estadual Antensina Santana, em Anápolis, que a escola está na lista para começar a ser administrada por OS ainda neste ano. Ela foi informada por estudantes que ocupavam o colégio.

"Não estamos tratando de uma mudança em uma escola, estamos falando em uma mudaça em um sistema, em uma filosofia, isso não pode ser feito sem diálogo”, diz o professor associado do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG) Tadeu Arrais.

Modelo goiano

“Vai ser uma parceria que vai tirar dos ombros dos diretores e dos professores a tarefa que hoje demanda tanto tempo deles, que é correr atrás de descarga do vaso sanitário que estragou, da infiltração da parece que vai estragar o computador, do vento que levou o teto. Nós queremos criar condições para que o clima escolar seja voltado para o processo de aprendizagem”, diz a secretária de Educação de Goiás, Raquel Teixeira.

“Continua o mecanismo de eleição direta para diretor e o conselho escolar continua com autonomia. O conselho tem representantes de pais de alunos e da comunidade escolar. O currículo é o mesmo e quem define é a Seduce [Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte]”.

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