Ministro de Lula diz que devolveu adega de presente

Gilberto Carvalho prestou depoimento nesta segunda-feira na Operação Zelotes

Por O Dia

Brasília - Chefe de gabinete do governo Lula, o ex-ministro Gilberto Carvalho prestou depoimento nesta segunda-feira na Operação Zelotes e negou a existência de esquema de venda de medidas provisórias (MPs) durante a gestão petista.

Carvalho explicou que atendia a demandas da sociedade e de grupos econômicos, e as apresentava ao governo, mas negou ter recebido qualquer vantagem para fazer negociações em troca de MPs. Ele negou ter recebido qualquer “proposta diferenciada” para favorecer empresas automotivas e contou que devolvia presentes caros que recebia em seu gabinete no Palácio do Planalto, em Brasília.

Ex-ministro Gilberto Carvalho%3A ‘Estou na Zelotes só por causa do Lula. A operação perdeu o foco’%2C disseAgência Brasil

O ex-ministro lembrou que chegou a devolver uma adega dada por um empresário. “Devolvi uma geladeira de vinhos que ganhei de uma empresa”, contou o ex-ministro, sem citar o nome da companhia que o presenteou. O Código de Ética da presidência estabelece que os servidores podem receber presentes de até R$ 100. “Numa sociedade democrática, é natural que as empresas apresentem demandas ao governo”, opinou.

A Operação Zelotes investiga a manipulação de julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), do Ministério da Fazenda, além da suposta compra de medidas provisórias. A operação está na fase de depoimentos.

Até agora, a Justiça Federal processou 15 réus. Seis estão presos preventivamente. Eles indicaram 98 testemunhas, entre elas o ex-presidente Lula e a presidente Dilma. “O que me ofende é ver a Zelotes abandonar completamente o foco principal, que é buscar recursos de volta para o país daqueles que sonegaram, e focar apenas no presidente Lula”, criticou o ex-ministro.

Durante o depoimento, Carvalho negou que conheça o lobista Alexandre Paes, um dos presos na Zelotes. “Nunca estive com o senhor Alexandre. Não o conheço. Nunca tomei café com ele.”

Segundo o advogado de Alexandre Paes, Marcelo Leal, as testemunhas vão auxiliar a defesa a demonstrar que o lobby é atividade lícita.

Lava Jato

Quatro denunciados na Operação Lava Jato — entre eles o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto — ficaram calados durante depoimento prestado ontem ao juiz federal Sérgio Moro.

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