Um cinto que ajuda a ver e sentir o mundo

Apresentado na Campus Party, projeto de estudante brasileiro facilita o cotidiano dos deficientes visuais

Por O Dia

São Paulo - Nem só de videogames violentos e horas no WhatsApp vivem os jovens brasileiros. Há boas — e generosas — notícias na área da tecnologia criada por estudantes. É o caso de um invento — cinturão sensorial — que promete aumentar a liberdade dos deficientes visuais. De custo baixo e sonho alto, o projeto encantou os visitantes da Campus Party, a maior feira de tecnologia e inovação do país, que termina hoje em São Paulo.

A invenção nasceu das mãos de Thiago Brito de Melo, estudante do último ano de Engenharia Mecatrônica no Mackenzie. Sua prótese em forma de cinto fica amarrado no corpo e graças a sensores, reconhece obstáculos, ajuda a impedir acidentes e facilita tarefas do dia a dia. 

Cinturão identifica obstáculos e emite sinais sonoros para os deficientes visuais. Protótipo pode facilitar contagem de dinheiro e escolha de roupasABr

O protótipo usado em volta da cintura tem um sensor infravermelho acoplado que mapeia o espaço ao redor. O alerta para os obstáculos é dado por meio de vibração. “Com a bengala, os deficientes não conseguem identificar obstáculos acima da cintura, isso é um problema muito sério, eles sofrem constantemente com lesões, podem se machucar”, explica Tiago, esperançoso de que sua prótese vá além da redução de acidente.

Com o uso de softwares e de aplicativos diferenciados, o projeto pode servir também para reconhecimento facial, ajudar na identificação de cores e servir como localizador GPS. A ideia é adicionar um “ponto” no ouvido do usuário, potencializando o sentido da audição, tão forte entre os cegos. O sensor capturaria, por exemplo, o rosto de pessoas e comunicaria seus nomes por meio de áudio. “Assim, ele aumenta a chance de fazer amigos”, explicou o autor do projeto.

A preocupação na praticidade está nos mínimos detalhes da iniciativa. O pai do cinturão sensorial planeja inserir uma câmera no aparelho para ajudar a detectar cores, o que facilitaria desde a identificação de notas de dinheiro até tarefas cotidianas, como a escolha de roupa. “Se o deficiente visual for comprar uma roupa sem orientação, pode sair da loja com uma calça amarela e uma blusa rosa. A não ser que ele tenha um gosto específico, ele pode estar comprando a roupa errada”, brincou o futuro engenheiro. 

Útil, solidário, inteligente...e barato

O custo da prótese para deficientes varia de R$ 1 mil a R$ 2 mil, segundo seu criador Thiago Brito de Melo. O cinturão pesa aproximadamente 1,5 quilo (Kg), mas pode ser aprimorado se vier a ser comercializado.
De acordo com Thiago, o projeto é simples e tem baixo custo. “Essa ideia surgiu pela indignação. Eu vi que já existe a tecnologia, que é barata, e ninguém faz nada para usá-la”, conta o rapaz.

Tonico Novaes, diretor-geral da Campus Party, avalia que a Feira é uma grande oportunidade para jovens inventores, como Thiago de Melo. “É a chance de o jovem conseguir maior conhecimento para alavancar seu negócio, e conseguir patrocinadores”, avalia.

Com informações da Agência Brasil

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