Por felipe.martins, felipe.martins
Brasília - O lobista Fernando Moura, ligado ao PT e um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou nesta quarta-feira ao juiz federal Sérgio Moro que ouviu do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu a confirmação de indicação, em 2003, do diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque – apontado como o braço do partido no esquema de arrecadação de propinas em contratos da estatal e preso desde 2015 por corrupção e lavagem de dinheiro.
“Nomeei hoje o Duque.” Foi assim que Dirceu teria comunicado ao lobista a nomeação do diretor de Serviços feita por ele, por sugestão do empresário Licínio Rodrigues, da empreiteira Etesco. A notícia foi dada a ele, segundo Fernando Moura contou ao juiz Sérgio Moro, em um jantar na casa da ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney, à beira da piscina.
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Fernando Moura disse também que logo após a eleição presidencial de 2002, vencida por Lula, foi feita uma reunião para discutir as nomeações para cargos em diretorias de autarquias e empresas públicas estratégicas da administração. Segundo ele, uma das diretorias era a de Furnas, apontada como cota do senador Aécio Neves (PSDB).
“Quando acabou a eleição de 2002, ganhamos a eleição, foi feita uma reunião para definição de mais ou menos umas cinco diretorias de estatais para poder ajudar a nível de campanha, posteriormente, o que seria interessante na nomeação das pessoas”, relatou Moura.
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Segundo ele, os indicados para as diretorias da Petrobrás, Correios, Caixa Econômica Federal, Furnas,Banco do Brasil deveriam ter 20 anos de casa, ‘tinha que ser funcionário da casa para poder receber essa indicação’. A reunião ocorreu novembro de 2002. Moura foi ouvido pela segunda vez pelo juiz da Lava Jato, na ação penal em que é réu ao lado de Dirceu.