Organizadores esperam um milhão na Atlântica

Diretório do PT do Rio programou evento no Parque Madureira, a 30 quilômetros da orla. Iniciativa é para evitar confronto entre manifestantes pró e anti-Dilma

Por O Dia

Rio - O clima beligerante entre oposicionistas e simpatizantes da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT preocupa os organizadores da manifestação do movimento Vem Pra Rua de combate à corrupção. Dirigentes petistas e sindicalistas trabalham para que a passeata pró-impeachment de Dilma marcada para hoje, a partir das 10h, em Copacabana, não acabe em confronto entre os oposicionistas e defensores do governo federal.

“Chegou o momento que todos nós estávamos esperando. Estamos calculando cerca de 1 milhão de pessoas na passeata do impeachment”, aposta Adriana Balthazar, uma das organizadoras da manifestação e líder do movimento Vem Pra Rua.

A concentração da passeata contra Dilma é no Posto 5%2C em copacabanaSeverino Silva / Agência O Dia

Enquanto a oposição ao Planalto aposta na manifestação na orla da Zona Sul, o diretório do PT carioca convocou seus militantes para um evento no Parque de Madureira, na Zona Norte, a 30 km de distância da praia. Junto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), petistas organizaram o Samba do Trabalhador, que reunirá músicos ligados ao partido e à central sindical.

Adriana admitiu que os últimos acontecimentos da Operação Lava Jato — a condução coercitiva e o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Lula — podem acirrar os ânimos. “Eles merecem cadeia e a queda do governo, e isso pode deixá-los mais exaltados”, afirma.

Quatro carros de som vão embalar os manifestantes. A faixa abre-alas, que ocupará uma pista da Av. Atlântica, terá a frase “Impeachment Já”. Os famosos bonecos infláveis de Lula, conhecido como Pixulecão, e de Dilma não deverão ser usados no protesto. “Os comunistas do PT atacam os bonecos com muita violência”, afirma Sol Córdoba, do movimento Avança Brasil.

Temerosa com os desdobramentos do protesto, Adriana se reuniu com o comando do 19º Batalhão da PM (Copacabana). Segundo ela, a PM disse que reforçará o policiamento com mais 400 homens na região para patrulhar a Avenida Atlântica, as estações do metrô e os pontos de ônibus no bairro.O comando da Polícia Militar disse que não se pronunciará sobre o assunto. 

Com o discurso mais radicalizado do que o da colega carioca, a paulista Carla Zambelli, chefe do movimento Nas Ruas, afirma não temer os petistas. “Embora o PT tenha pedido à sua militância para não ir às ruas, o partido gosta de estimular a violência. Mas não temos medo deles”, desafia. De acordo com os organizadores da manifestação, dezenas de ônibus sairão de bairros como Barra da Tijuca e Ilha do Governador e de municípios como São Gonçalo, Niterói e Duque de Caxias e chegarão a Copacabana lotados de manifestantes.

PT avisa que vai evitar confrontos

Ex-ministro de Lula, o deputado estadual Carlos Minc (PT-RJ) diz que a confusão temida pelos que defendem o impeachment de Dilma não passa de uma cortina de fumaça da oposição. De acordo com ele, o estado de guerra criado é para tentar responsabilizar o governo por qualquer ato de violência.

“Não vai ter provocação alguma da nossa parte. O que eles (oposição) querem é criar confusão para culpar a esquerda. Violência foi o que fizeram contra o Lula”, diz Minc, referindo-se ao pedido de prisão do ex-presidente feito pelo Ministério Público de São Paulo.

Presidente do diretório carioca do PT, Bob Calazans diz que a orientação feita aos militantes do partido é para que se afastem o máximo possível das manifestações da oposição. “Acho bom a polícia ficar atenta porque, se aparecer algum carro de som na manifestação ou alguém com camisa do PT, é gente infiltrada”, diz.

O PT está organizando para o próximo dia 18 uma manifestação nacional de apoio a Lula e Dilma.

Redes sociais viram palanque a favor do impeachment

A estilista Adriana Balthazar, que integra o movimento Vem Pra Rua, diz não ser vinculada a qualquer partido político. Alega estar à frente da manifestação porque não aguenta mais a atual situação em que o Brasil se encontra — em sua avaliação, atolado em corrupção.

“Nosso objetivo é combater a corrupção e dar total apoio à Operação Lava Jato para fazer uma limpeza no Brasil”, afirma Adriana, que publicou no Facebook várias fotos em passeatas contra Dilma, numa delas ao lado do senador José Serra (PSDB-SP).

Organizadores ao lado de tucanos%3A Rommel Cardozo%2C Divulgação

Já o professor de jiu-jitsu Rommel Cardozo, presidente do movimento Rio pela Paz, convocou pelo Facebook lutadores de artes marciais, entre eles Minotauro, Wanderlei Silva e Vitor Belford, para garantir a paz na manifestação. Em 2014 Rommel foi candidato a deputado federal.

Fã do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), ícone do conservadorismo e figura presente nas passeatas em favor do impeachment de Dilma, o servidor público Luís Lima, porta-voz do Avança Brasil no Rio, assume ser de direita, assim como Bolsonaro.  “Bolsonaro vai conscientizar a população em relação às cotas raciais. Sou contra a cota porque o negro concorrerá duas vezes à mesma vaga num concurso público. Isso é desleal, sou descendente de negros e não me escoro nisso”, diz.

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