Dilma descarta renúncia e nova eleição e diz que lutará até o fim pelo mandato

Presidente diz sentir-se injustiçada e espera que STF autorize posse de Lula como ministro da Casa Civil esta semana

Por O Dia

Rio - A presidente Dilma Rousseff descartou nesta segunda-feira a possibilidade de renunciar e convocar eleições para presidente a fim de encerrar o processo de impeachment, cujo prosseguimento foi aprovado neste domingo na Câmara dos Deputados. “Já enfrentei o terceiro turno, vou para o quarto turno”. Aparentando abatimento, mas tentando manter o bom-humor, Dilma disse sentir-se indignada e injustiçada e que lutará até o fim pelo seu mandato em respeito aos 52 milhões de eleitores. A presidente e usou palavras duras em referências ao vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP)e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Dilma comparou o processo de impeachment à perseguição que sofreu durante a ditadura militar. “Na juventude enfrentei por convicção a ditadura. Agora, também por convicção, enfrento um golpe de estado que usa aparência de processo democrático para perpetrar um crime abominável que é condenar um inocente.”

Dilma disse que enfrentará "quarto turno" no SenadoAgência Brasil

Sem citar nomes, Dilma se referiu ao vice-presidente Michel Temer como traidor e o acusou de conspiração. “É inusitado, estranho, estarrecedor que um vice-presidente em exercíciio de mandato conspire contra a presidente abertamente. Em nenhuma democracia do mundo quem fizer isso será respeitado. A sociedade não gosta de traidores”.

A presidente questionou o processo de impeachment e um eventual governo Michel Temer. “Não se pode chamar de impeachmente o que é uma tentativa de eleição indireta que se dá porque os que querem ascender ao poder não tem votos para tal”.

A presidente disse esperar que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorize esta semana a posse de Lula como ministro da Casa Civil e que terá no Senado uma “interlocução de qualidade”, ao contrário das negociações na Câmara.

Indignada e injustiçada

disse estar indignada com a dicisão da Câmara dos Deputados de prosseguir o processo de impeachment e sentir-se injustiçada por receber tratamento diferenciado de outros presidentes que cometeram atos semelhantes. 

Dilma disse se sentir indignada e injustiçada porque não há contra ela crime de responsabilidade nas chamadas pedaladas fiscais — o atraso no reembolso a bancos públicos pelo pagamento de programas sociais, como bolsa família —, acusação que fundamenta o pedido de impeachment. A presidente lembrou que os atos foram baseados em pareceres técnicos e jurídicos e não foram tomados para beneficiá-la pessoalmente ou enriquecê-la. “Os atos de que me acusam foram praticados por outros presidentes antes de mim e não fora caracterizados como ilegais ou criminosos. Me sinto indignada e injustiçada porque a mim se reserva um tratamento que não se reservou a ninguém”.

A presidente lembrou que contra ela não há acusações de enriquecimento ilícito e contas não declaradas no exterior, e, sem citar nomes, lembrou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, responde processo por essas acusações no STF.


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