Por bferreira

Rio - Milhares de crianças e jovens em todo o país praticam, como um mantra, as perguntas: “Eu preciso ter?”, “Eu preciso comprar?” e “Esse é o melhor momento para comprar?”. Eles fazem parte de um grande contingente que, desde 2012, tem a educação financeira como disciplina nas salas de aula e entende que poupar e consumir com consciência também se aprende na escola.

Gestora do Centro Educacional Santa Thereza, em São João do Meriti, na Baixada Fluminense, Cristina Loureiro diz que adotou a matéria ao perceber que diversos colegas dos seus filhos, já em idade universitária, se encontram endividados por não usar adequadamente o dinheiro: “Boa parte dos jovens não é ensinada a administrar corretamente os recursos. Há uma cultura, muito envolvente, do consumo. Então, resolvemos adotar a educação financeira para semear e colher no futuro”.

Segundo Cristina, em poucos meses os resultados começam a aparecer. “Em casa, os menores explicam aos pais a importância de apagar a luz ou economizar água. Na cantina, os mais jovens já pensam antes de sair comprando tudo. Passam a guardar o dinheiro para ter algo melhor depois”, pontua a professora do Santa Thereza, que adotou o programa DSOP de Educação Financeira, empresa que dissemina o consumo consciente.

“Educação financeira nada mais é do que comportamento e mudança de hábitos. É necessário pensar em objetivos a curto, médio e longo prazos. E, principalmente, não se faz sozinho, tem que envolver toda a família”, diz Adenias Filho, franqueado da DSOP no Rio.

Para o diretor da Escola Técnica de Guaratiba, Wellington Eloy o conhecimento da gestão financeira é fundamental para as famílias planejarem melhor o futuro. “Considero que o consumo consciente se insere na consciência ecológica dos quatro ‘erres’ — reduzir, repensar, reciclar e reutilizar”, ressalta o professor ao defender as três perguntas lá de cima: “Introduzimos a mudança de comportamento e reflexão antes da decisão por uma compra”.

NA PONTA DO LÁPIS

ÁRVORE DOS SONHOS
Estratégia do Itaú-Unibanco para levar o conhecimento e a importância da educação financeira para as crianças. O material didático é composto por livro infantil de autoria de Fabiano Alves Onça e arte de Tatiana Paiva que fala sobre como economizar e se preparar para o fututo por meio do menino Joãozinho e seu avô Pereira.

ESTABILIDADE
Superintendente de Sustentabilidade do Itaú-Unibanco, a economista Denise Hills destaca que a educação financeira, hoje, faz parte da agenda de todas as instituições financeiras. “É um assunto recente, que começou a surgir com a estabilidade da economia no país. Antes, no período inflacionário, o recomendado é que se gastasse o mais rápido possível, para o dinheiro não perder valor”, explica.

NA PRÁTICA
Mas como fazer uma criança a aprender a usar o dinheiro? De acordo com o guia ‘Como falar de dinheiro com as crianças’, produzido pelo Itaú-Unibanco, já desde os três de idade é possível iniciar os conceitos do uso planejado do dinheiro. Pode-se pedir para a criança ajudar a fazer a lista do supermercado e deixá-las responsáveis pela verificação da necessidade de compra de alguns produtos. Na escola, pode-se pedir para fazer cartazes que discriminem os produtos que consumimos porque ‘queremos’ daqueles que ‘precisamos’, estimulando a discussão sobre prioridades de cada um. Encartes de supermercados são uma excelente fonte de recortes para atividades e discussão para o planejamento financeiro dentro das salas de aula.

NOVA CLASSE MÉDIA
O conhecimento do uso consciente do dinheiro se estende para toda a família, principalmente a grande massa de 40 milhões de pessoas que ascenderam à classe média nos últimos anos. A opinião é da diretora de Relações Corporativa da Visa do Brasil, Sabrina Sciama. Para isso, a empresa dispõe de uma série de ferramentas de assessoramento.

VINGADORES
Um desses instrumentos é uma parceria da Visa com a Marvel Comics, que gerou um gibi com os personagens Vingadores (Homem de Aranha, Homem de Ferro, Thor, Hulk e Viúva Negra), que ensinam a educação financeira para as crianças. “Além do gibi, também produzimos uma peça teatral que é levada às escolas e para organizações não governamentais. É um trabalho de formiguinha diante um longo caminho de ensinamento”, destaca Sabrina.

BATE-BOLA FINANCEIRO
Dentro do Programa Finanças Práticas, a Visa do Brasil também possui u um jogo online de futebol, que ensina de maneira simples e divertida os conceitos básicos de educação financeira para crianças, jovens e até mesmo adultos. Para marcar um gol, o jogador tem que responder uma série de perguntas sobre poupança, consumo responsável, orçamento e uso consciente do crédito e do dinheiro.

VALOR DO DINHEIRO
Denise Hills, superintendente de Sustentabilidade do Itaú-Unibanco, diz que as crianças são sempre curiosas em relação ao dinheiro. Assim, sempre que possível, os pais devem procurar pagar as compras com cédulas e moedas. A atenção que os adultos dão ao troco, conferindo a quantia, demonstra para as crianças, concretamente, que os pais dão valor ao dinheiro.

PAGAMENTO EM CHEQUE
Nos casos em que o pagamento for feito com cheque, os pais devem ressaltar a diferença de uso em relação ao dinheiro, deixando que a criança observe o preenchimento da folha e do canhoto. Quando for usado o cartão de débito ou de crédito, os adultos devem assegurar-se de que os filhos estejam atentos ao funcionamento da máquina e ao recibo de compra. Os mesmo vale para o uso e a operação dos caixas eletrônicos.

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