Por bferreira
Publicado 05/06/2013 00:39 | Atualizado 05/06/2013 00:39

Rio - A Oi, enfim, está para receber novo presidente. Já estava mais do que na hora, considerando que o posto estava vago desde o início do ano, e isso não é coisa que se faça, principalmente porque estamos tratando do sexto maior mercado de celulares do planeta.

As boas fontes garantem que Zeinal Bava é o homem certo no lugar certo. Afinal, já mostrou tremenda competência à frente da Portugal Telecom (PT) e conhece bem a Oi, que já lhe consumiu uma grana considerável desde 2008. Certamente Zeinal Bava já sabe como vai jogar, e tem todo o apoio da torcida (os acionistas tanto da Oi quanto da PT) durante a partida. No entanto, como diria o ídolo Garrincha, agora falta combinar com o inimigo — que, no caso, atende pelo nome de mercado brasileiro de telecomunicações. Não é um mercado para amadores, como diria outro ídolo, o Tom Jobim.

Além de driblar problemas internos da Oi, como a dívida e disputas que não nos dizem respeito, Bava vai quebrar a cabeça para tirar a empresa do seu cativo quarto lugar no ranking das grandes operadoras de telefonia celular do país. Em abril, a Vivo ficou com 28,83% do total de market share brasileiro, seguida por TIM (27,01%) e Claro (24,98%), enquanto a Oi ficou com 18,77%, mantendo cerca de 49,6 milhões de aparelhos em operação.

A propósito, o povo brasileiro gosta de falar muito e sobre tudo, mas tanta tagarelice ainda representa apenas 130 minutos de uso do pacote de voz por mês, contra a média de 1 40 minutos em toda a América Latina. Na Índia, a média fica em 400 minutos. Nos EUA, são 700 minutos mensais, também em média.

Como se vê, o tal inimigo tem muitas características inconvenientes. Há outras. De todos os 264.551.603 celulares em operação no Brasil, 79,84% são de contas pré-pagas. Estamos até melhorando nesse indicador , mas a receita com esse tipo de plano ainda não é grande coisa. De acordo com o site Convergência Digital, as recargas dos chamados ‘pais-de-santo’ ficam entre R$ 5 e R$ 7, em média.

Crescer nesse cenário não é tarefa fácil, por maiores que sejam os investimentos em marketing — e eles são consideráveis.

Andam dizendo por aí que se trata de um processo de fusão dos grupos — por mais que nada se comente oficialmente a respeito, nem aqui nem em Portugal. Mas onde tem fumaça, tem fogo, como se sabe. Seja como for, o negócio é investir mais na qualidade dos serviços e na cobertura da rede, dois fatores que sempre vêm à mente do consumidor quando se fala em operadora de telefonia.

A propósito, chegou agora uma boa notícia do Cazaquistão: a Oi é principal usuária de satélite geoestacionário que foi lançado da base de Baikonur e entrou em órbita segunda-feira à noite. Vai reforçar a transmissão de TV por assinatura — mas só a partir do segundo semestre deste ano.

Enfim, a Oi está no caminho de ser feliz. Pode até ser difícil, mas não deve ser impossível.

Com Pablo Vallejos

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