Rio - A voz que vem das ruas está começando a colher vitórias. Primeiro, foi a redução da tarifa de ônibus e agora há um leque de propostas encampadas pela presidenta da República e pelo Congresso. Dentre elas, a desoneração tributária do óleo diesel, o combustível usado na frota dos ônibus urbanos.
Agora, o Movimento Passe Livre passou a defender a tarifa zero. Isso é, qualquer pessoa passará a andar de ônibus de graça, caso a proposta vingue. São remotas as chances de a tarifa zero ser implantada, mas é verdade que o recuo no aumento do preço da passagem e a provável desoneração do diesel tornam o transporte rodoviário mais acessível.
Se há muito a comemorar com a vitória do clamor das ruas, isso se deve mais ao despertar da participação do povão do que a medidas efetivas. O estímulo ao uso de ônibus é um contrassenso como solução de transporte de massa em centros urbanos. São poluentes, têm baixa capacidade de transporte e são movidos por combustível fóssil finito e caro.
Mais eficientes certamente são o metrô, o trem e o veículo leve sobre trilhos (VLT), que são elétricos e mais rápidos. Obviamente, o investimento em transporte bom e de qualidade custa caro e, no Brasil, pela nossa triste experiência, demora séculos para ser implantado. Porém, a construção dos estádios de futebol mostrou que o brasileiro sabe fazer tudo muito bem, mesmo que gastando muito e correndo para cumprir os prazos. Pois bem, ônibus mais barato deve ser só o começo. O objetivo das reivindicações da mobilidade urbana deve apontar para ‘soluções padrão Fifa’ para tudo: metrô, trem e VLT.