Rio - Item fundamental em festas de aniversário e casamentos, o bolo ganha cada vez mais espaço em comemorações como chá de panelas, de bebê ou de lingerie, além de batizados e eventos corporativos, entre outros. Em meio à tendência de bolos personalizados, boleiras e confeiteiras encontram oportunidades de crescimento do negócio e aumento de ganhos.
Coordenadora de cursos de gastronomia da unidade Resende do Senac-RJ, Ana Helena Lemos afirma que a fabricação de bolos caseiros é um empreendimento promissor. “O valor de um bolo decorado, por exemplo, corresponde ao trabalho manual da decoradora. Há produtos personalizados que levam dias para ficar prontos. Há muito valor agregado a isto, o que torna o bolo um produto altamente rentável”, explica.
Além disso, com o mercado aquecido, novos profissionais ganham espaço. Confeiteira e autora do livro “Descobrindo bolos”, com dicas para quem quer se aventurar nessa área, Ana Elisa Salinas conta que a concorrência nesse mercado é saudável. “Se eu recebo muitos pedidos e não consigo assumir todos, é bom ter alguém de confiança para indicar para o cliente”, avalia.
Outro ponto positivo da concorrência é o de ajudar o empreendedor a inovar. “O ideal em qualquer negócio é estudar o concorrente, observar o que ele faz, e tentar fazer diferente”, ensina José Leoncio, analista de atendimento do Sebrae-RJ.
Decoração é uma das armas para o bolo fazer sucesso
A confeiteira Rosane da Costa Coelho começou a trabalhar com a mãe aos 15 anos fazendo bolos e, aos 20, já comandava o próprio negócio. Hoje, aos 35 anos, ela tem uma casa no Bairro de Fátima, onde prepara bolos, docinhos e bem-casados. Ela conta que os bolos mais pedidos são os personalizados. “As pessoas não se importam tanto com a massa e o recheio, o negócio é a decoração. Os clientes querem um bolo que tenha a ver com eles”, explica.
As irmãs Luciana, Conceição e Isabela Sinder, sócias na empresa Sinder’s Food, perceberam esse nicho de mercado e decidiram se especializar em bolos personalizados. Segundo Conceição, a ideia é sugerir aos clientes sempre um projeto inovador. “As pessoas não imaginam que é possível fazer tanta coisa diferente com açúcar. Nosso objetivo é representar a vida das pessoas no bolo. Quando o cliente recebe, vê que foi feito para ele”, conta.
Sem limites para inovar
Especialista em decoração de bolos, Ana Elisa Salinas começou o negócio junto com a mãe, Ana Maria, que era cozinheira. De acordo com ela, criatividade é um elemento cada vez mais importante na produção de bolos.
“Hoje em dia, o valor do bolo está na arte”, diz ela, que se especializou decorar bolos em formatos inusitados, como de cabeça para baixo e em espiral.
Atualmente, tudo é permitido e o limite é o gosto do cliente. Rosane Coelho relembra o bolo mais incomum que já fez:
“Um grupo de amigas encomendou um bolo em formato de bumbum para um colega da faculdade. Eu nunca tinha feito nada assim, mas o resultado ficou divertido. Na rua, não tinha quem não comentasse”.
O tradicional chá de panelas, evento em que se dá presentes para recém-casados que estão mobiliando a casa, vem sendo substituído pelo chá de lingerie, em que os convidados presenteiam a noiva com lingeries para a lua de mel. Segundo Conceição Sinder, esse é um dos eventos que exigem mais criatividade na hora de fazer o bolo.
“Recebemos muitos pedidos de bolos para chá de lingerie e os temas da decoração são sempre voltados para a sensualidade. Por isso, trabalhamos muito com rendas de açúcar. Já fizemos até um bolo em forma de corpete”, conta Conceição Sinder.
Profissionalização é importante para o sucesso
Mesmo quem trabalha em casa deve se profissionalizar, aconselha José Leoncio, analista de atendimento do Sebrae/RJ. De acordo com ele, a formalização é importante para que o empreendedor possa emitir nota fiscal e, assim, vender para mais clientes. Serve ainda para ampliar o leque de fornecedores e garantir acesso a benefícios previdenciários. Dessa forma, também se evita eventuais problemas com a fiscalização.
Quem fatura no máximo R$ 60 mil por ano e têm até um funcionário contratado que receba o salário mínimo ou o piso da categoria se enquadra na categoria de microempreendedor individual. Com isso, pode fazer registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e se enquadrar no Simples Nacional, ficando isento dos tributos federais. Assim, esses empreendedores pagam apenas o valor mensal de R$ 34,90 (comércio ou indústria), R$ 38,90 (prestação de serviços) ou R$ 39,90 (comércio e serviços), destinado à Previdência Social e ao ICMS ou ao ISS.
“Para atividades que envolvem manipulação de alimentos, é necessário cumprir algumas exigências. Deve-se procurar a Vigilância Sanitária do município e a prefeitura, para consulta prévia de local”, diz Leoncio.
Cursos
Especialização - De acordo com Ana Helena Lemos, coordenadora de cursos de gastronomia do Senac-RJ, é importante que os profissionais busquem se especializar constantemente. “É fundamental aprender a usar técnicas e ferramentas oferecidas pelo mercado, se atualizar e adquirir novos conhecimentos na área escolhida. Além disso, capacitar-se através de cursos na área, participar de eventos e manter contatos com profissionais pode ser uma boa maneira de trocar ideias e aprender”.
Diferencial - Analista de atendimento do Sebrae/RJ, José Leoncio afirma que é importante se aprimorar. “Capacitação é tudo. É o que leva o profissional ao sucesso”, afirma. Além disso, ele explica que é preciso criar um diferencial, para que o negócio se destaque da concorrência e ganhe espaço no mercado. “É preciso definir o público alvo e então identificar o diferencial”, aconselha.
Atendimento ao cliente - “Atualmente, o mais valorizado num serviço é a qualidade do atendimento ao cliente. É isso que fideliza”, alerta José Leoncio.
Aprenda com quem faz - Algumas boleiras e confeiteiras oferecem cursos caros para transmitir o conhecimento na área a outros profissionais que desejam se especializar. O Sinder’s Food, por exemplo, oferece cursos práticos para até cinco pessoas no próprio atelier. Custa R$ 350 por um dia. Rosane Coelho também oferece aulas particulares, direcionadas para o interesse do cliente. O valor é a combinar. Ana Salinas oferece aulas a grupos de 30 a 40 pessoas. A aula prática custa cerca de R$ 1.500 e a teórica sai por R$ 300 por pessoa.
Cursos completos - No Senac-RJ, interessados em se profissionalizar nessa área encontram diversas opções de cursos, como Bases de Confeitaria, Padeiro Confeiteiro e Cake Design, todos parcelados, sendo o mais caro em 12 vezes de R$ 416,59. “Como são cursos voltados para a formação e o aperfeiçoamento profissional, os alunos saem preparados para executar desde bolos mais simples aos mais elaborados”, explica Ana Helena Lemos. Mais informações são encontradas por meio do site www.rj.senac.br.