Por bferreira

Rio - Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco é a prova de que, com as mesmas oportunidades do cidadão branco de elite, os negros de classes menos abastadas têm capacidade de crescer e chegar inclusive a um dos cargos mais cobiçados do país: o de diplomata.

Lançado em 21 de março de 2002, o objetivo do programa é proporcionar maior igualdade de oportunidades de acesso à carreira de diplomata e acentuar a diversidade étnica nos quadros do Itamaraty. Isso acontece por meio da concessão de bolsas de R$ 25 mil por ano a cada estudante selecionado, para a compra de livros e material de estudo, além do pagamento de cursos e professores. As bolsas são oferecidas em parceria com o Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Coordenadora de Idiomas do Instituto de Desenvolvimento e Estudos de Governo (Ideg), Mariana Lima fala sobre a importância dessa iniciativa. “A diversidade étnica e cultural do Brasil é um aspecto fundamental da nossa identidade, que repercute nas relações internacionais e contribui para o papel que o país quer representar no exterior”, avalia.

Diplomata na Missão Permanente do Brasil junto à ONU, em Nova York, Bruno Santos de Oliveira, de 34 anos, conseguiu bancar os estudos para o Itamaraty graças à Bolsa Prêmio de Vocação para a Diplomacia, oferecida pelo Instituto Rio Branco: “Fiz o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata porque queria tornar real um sonho que cultivei desde a infância”.

Ele conta que a bolsa foi de extrema importância, pois permitiu abrir mão do emprego para se dedicar aos estudos. “Mais que fornecer os recursos materiais de que eu precisava, a bolsa teve um papel simbólico essencial para mim, pois representou uma mudança positiva no que diz respeito às alegadas práticas de racismo existentes nas versões antigas do concurso de admissão”, afirma.

Professora de Inglês, Ana Paula Macedo, 45 anos, é bolsista do Rio Branco e conta que o alto custo da preparação para o Itamaraty é um fator de exclusão. “Sem a bolsa, eu não conseguiria dar conta dos estudos”, diz.

Eles querem contribuir com a sociedade

Na edição de domingo, O DIA destacou em reportagem especial que os cotistas de universidades públicas buscam ajudar ao próximo por meio de projetos e ações educacionais. Nos bolsistas do Rio Branco, a motivação social também é muito presente.

Ana Paula conta que, quando for aprovada, gostaria de trabalhar na América Latina ou na África. “Se eu tive a oportunidade de receber essa bolsa, de me preparar, acho que tenho que servir levando esse conhecimento para ajudar os outros a se desenvolverem também”, afirma.

De acordo com Bruno, a carreira de diplomata possibilita que o profissional ajude seu país. “Sempre tive vontade de prestar alguma contribuição substantiva ao país e imaginei que pudesse ajudar justamente por meio da ‘construção de pontes’ e da defesa dos interesses do Brasil em âmbito internacional”, explica.

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