Por paulo.gomes

Rio - O sinal amarelo de alerta está ligado para empresários e gestores de Recursos Humanos (RH) em relação à satisfação de seus funcionários. Duas pesquisas recentes sobre como os trabalhadores se sentem frente às empresas que os contrataram e o que esperam das companhias mostraram que mais de 75% dos empregados de diversas áreas estão insatisfeitos e pensam em trocar de emprego.

O comerciário Leonardo Drummond diz que falta diálogo entre patrões e empregadosCarlo Wrede / Agência O Dia

O levantamento da SurveyMonkey, uma das maiores empresa de pesquisas online do mundo, aponta que 76% dos entrevistados não se sentem financeiramente recompensados e 37% acreditam que a empresa não se importa com eles. Já a mostra da Pactive Consultoria revela que 77% dos trabalhadores já pensaram em largar o emprego e começar uma nova carreira.

Sair em seis meses

A consulta da SurveyMonkey foi feita entre 22 e 25 de julho com cerca de 600 profissionais de vários segmentos que ocupam de cargos de analista ao de diretoria. O resultado mostra que um em cada três profissionais deve procurar emprego nos próximos seis meses. Número que é ainda mais alarmante quando considerados profissionais com até 25 anos, onde um em cada dois pretende mudar de emprego em seis meses.

De acordo com Becky Cantieri, vice-presidente de Recursos Humanos da SurveyMonkey, a influência do dinheiro é quase nula quando os jovens são perguntados sobre o que eles mais valorizam no ambiente profissional. “A maioria quer expor suas ideias. Estabelecer um diálogo com eles é a melhor forma de engajá-los”, diz.

A especialista de RH da SurveyMonkey aponta cinco temas principais para conseguir segurar os talentos: remuneração (salário e benefícios), condições de trabalho, feedback, reconhecimento e bom ambiente de trabalho. “São temas apontados por profissionais de RH do Vale do Silício, na Califórnia (EUA), local onde estão as maiores empresas inovadoras do mundo e as principais estratégias de retenção de talentos”, conta.

Becky Cantieri diz que o feedback deve constante. “Há ferramentas de pesquisas de satisfação online que são respondidas de forma rápida e sem a necessidade de identificação para o funcionário ficar a vontade ao se manifestar”.

Sede de mudanças

Inovar é a solução - Consultor empresarial e especialista em Gestão de Pessoas, Ubiratan Bonino ressalta que a empresa burocrática que exige soluções pré-fabricadas, atitudes e comportamentos iguais e que não inova, não abriga mais jovens da geração Y.

Sem medo - “O jovem de hoje não tem medo de perder o emprego. Ele não se prende mais ao encanto de trabalhar para um logotipo, seja de grande empresa ou mesmo de multinacional. Ele quer é desafiar o sistema e ser desafiado todo tempo”, afirma.

Aqui, agora - Segundo o consultor, o jovem tem sede de mudanças. “As ambições não se alimentam com projeto de longo prazo. É a geração do aqui, agora, cujo modelo não se adapta a regras rígidas de gestão. O empresário tem que lidar com a mudança”.

Infográfico mostra detalhes da pesquisaArte%3A O Dia

Começar uma nova carreira

A pesquisa Pactive Consultoria feita no dia 8 deste mês mostra que 77% dos 1.006 entrevistados já pensaram em largar o emprego e começar uma nova carreira. Os dados apontam ainda que 32% das pessoas ouvidas já quiseram iniciar novas carreiras algumas vezes, enquanto 26% têm esse pensamento.

Além disso, a consultoria afirma que 65% dos trabalhadores gostariam de fazer algo mais ligado à própria personalidade.

Quando questionados sobre os motivos de não concretizarem a troca, 31% disseram ter medo de arriscar e 16% contaram ter incerteza do que gostam. A remuneração foi apontada por 35% dos entrevistados como o maior desmotivador no trabalho. A falta de reconhecimento aparece no segundo lugar com 32%, seguida por insegurança, com 16%, e falta de aprendizado, com 9%.

Para Henrique Veloso, co-autor do livro Estresse Ocupacional, da editora Elsevier, há muitas formas de reconhecimento. “A empresa precisa mostrar que há sempre caminhos que precisam ser valorizados, tais como bons relacionamentos pessoais e qualidade de vida no trabalho”, ressalta.

Entretanto, Henrique Veloso diz que existem empresas que não têm preocupação com o funcionário. “Nesses casos, a rotatividade é uma característica da empresa e não um problema”, finalizou.

Demissão voluntária foi de 30% em 2012

Becky Cantieri da SurveyMonkey informou que números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que 30% das demissões em 2012 foram de forma voluntária.

“Este dado é um alerta a ser apreciado por empresários de que algo deve ser feito para reverter este quadro de insatisfação. Saber quais são as principais queixas é uma delas”, diz a especialista.

O comerciário Leonardo Drummond, 40 anos, diz que falta diálogo entre patrões e empregados. “Estas pesquisas traduzem a realidade cada vez mais preocupante. E a maioria da pessoas não reclama com medo de demissão. Acho este pensamento um erro”, avalia o comerciário.

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