Fogão e móveis estão mais caros

Elevação do dólar reflete no preço dos eletrodomésticos, mas varejo aumenta as vendas

Por O Dia

Rio - Uma inflação é caracterizada não pelo preço alto, mas pela elevação generalizada no seu valor de consumo. É o que ocorre com os itens das linhas branca e marrom, como fogão e móveis, que tiveram alta de preço de 7,28% e 9,01%, respectivamente, no mês passado. Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPC-A) mostra que a inflação de agosto atingiu 6,09%.

Economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes explica que até maio, os preços de móveis e eletrodomésticos subiam menos do que a inflação. A partir de junho, os valores aumentaram acima do índice oficial. “O comportamento do câmbio foi a principal razão. O dólar passou de R$ 2 para R$ 2,30 nesse período, e os bens duráveis estão mais sensíveis à variação da moeda”, aponta.

Preço de fogões subiu 7%2C28% em agosto. Móveis tiveram alta de 9%2C01%Ernesto Carriço / Agência O Dia

Além dos itens para o lar, o crédito destinado ao consumidor também aumentou, justamente em função de o Banco Central ter elevado a taxa básica de juros, a Selic, como medida para conter a inflação. Bentes sugere que o consumidor poupe para comprar à vista, mediante pesquisa de valores dos produtos nas lojas, negociando com gerentes.

Vendas em alta

Apesar da alta dos preços, as vendas de eletrodomésticos, em julho, aumentaram 14,9% em comparação a igual período do ano anterior, segundo pesquisa do IBGE. Boa parte foi puxada pela linha de financiamento do programa ‘Minha Casa Melhor’, do governo federal, que já repassou R$ 1 bilhão a 232 mil cartões. Destes, 11,5 mil foram emitidos aos mutuários fluminenses, dos quais 7.150 são de moradores da capital.

Efeito foi sentido em 2002

Fabio Bentes, da CNC, lembra que em 2002 os brasileiros passaram por algo semelhante. À época, o dólar chegou a R$ 4. Seis meses antes, era cotado a R$ 2,50.

Com essa superdesvalorização de 60% no câmbio, o preço médio no comércio varejista de móveis e eletrodomésticos chegou a crescer 15% no primeiro semestre de 2003. “Embora seja difícil prever o comportamento do dólar, pode-se dizer que o país está mais protegido dessas oscilações”, diz.

Últimas de _legado_Economia