Por bferreira

Rio - Há dez anos, este vosso humilde escriba visitou algumas empresas de tecnologia em Israel — país que está muito à frente que nós nesse quesito. Por lá se falava, então, que a guerra do futuro estaria cada vez mais ligada não exatamente a aviões, mísseis e afins, mas a computadores, hackers e exércitos cibernéticos. Esse tipo de guerra já está em prática há algum tempo. Não por acaso, as nações mais ricas estão torrando rios de dinheiro em espionagem digital. Assim como na guerra tradicional, cada país tem que se preparar com antecedência, para não haver surpresas.

Segurança digital, versão tupiniquimArte%3A O Dia Online

Mas o nosso Brasilzão não tem jeito mesmo. Se já não investe nas suas Forças Armadas como deveria, agora descobriu que inventaram uma tal de internet, e que ela pode funcionar como uma ameaça aos segredos do Estado brasileiro. Sejam eles quais forem — os gastos sigilosos no cartão de crédito presidencial, por exemplo...

Pois acaba de ser divulgado que os governos argentino e brasileiro vão se unir na criação de um sistema de defesa cibernética. Mas não há pressa. Como informou o ministro da Defesa, Celso Amorim (via Agência Brasil), daqui a dois meses desembarcará por aqui um grupo de argentinos, que vai avaliar essa possibilidade de parceria. Ou seja: vamos deixar para encomendar os tanques e porta-aviões quando os inimigos já estiverem se banhando no Leblon.

E vem mais por aí. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já disse que tem uma solução para evitar a xeretagem americana sobre os e-mails de Dilma & Cia. O nobre executivo solicitou aos Correios que criem um tal de Mensageria Digital, o correio eletrônico tupiniquim. A intenção é que ele esteja disponível já no ano que vem. Fala-se também que o serviço seria pago com venda de publicidade. Hein? Um e-mail indevassável — de uso prioritário das esferas federais — sustentado por publicidade? Como assim? Pois é...

(No fundo, mais parece um cabide de emprego, versão digital. Mas talvez seja apenas maldade).

Enfim, tudo isso só mostra que, mais cedo ou mais tarde, teremos maior controle governamental sobre o passo de cada cidadão. Isso já aconteceu antes na história do mundo. Foi nos tempos pré-Inquisição, de triste memória.

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